Você acredita que você existe?

Recentemente me perguntaram “Você existe mesmo!?”.

A intenção de uma pessoa fazer essa pergunta a alguém, muito provavelmente, é passar uma mensagem do tipo “que legal que você existe, de certa forma te admiro!”. Em raros casos, pode ser algo como “caraca, uma pessoa como você existe, não acredito”, em tom pejorativo.

De qualquer forma, a pergunta é instigante por um motivo filosófico.

Quando perguntamos a alguém se tal pessoa existe, o que estamos fazendo é remontando a algo ulterior, a uma parte de nós que, embora muito deixada de lado, nos interessa de uma forma um pouco assustadora. É que estamos abrindo mão da crença absoluta de nossos sentidos, de nossas percepções mais básicas, como por exemplo a visão.

Eu vejo a pessoa, eu posso medir, pelo olhar, cada traço e cada linha sinuosa sua. Mesmo assim, eu duvido dessa minha capacidade, suspendo o juízo quanto à minha crença de que estou, de fato, enxergando algo real e palpável. Dessa forma, acaba-se abrindo mão absoluta do seu lado primitivo, instintivo e que acredita em tudo que vê, para dar vazão a um lado mais analítico, racional e ‘crente’ no alcance da Verdade por meio da intelecção das coisas.

Mesmo assim, por mais que essa pergunta pareça, agora, algo inteligente a se fazer, a verdade é que ela é uma pergunta um tanto duvidosa.

Qual a certeza que temos sobre nossa existência, afinal? Qual a garantia fatídica que nos deixa óbvio que não há como duvidar de que, sim, cada um de nós existe?

Penso que René Descartes nos dá uma resposta sobre isso, quando afirma que “Penso, logo existo”. Claro, todos nós acreditamos que pensamos. Mas daí aparece outro filósofo e diz que “o ser humano pensa que pensa”.

Mas talvez, como diriam os existencialistas, que ‘a existência precede a essência’, eu exista indiferentemente a eu pensar.

Tudo, ao final, parece ser uma questão de crença. Seja uma crença no palpável, no racional ou no puramente emocional.

Então… Você acredita que você existe?