A Arte está presente: ela é Abramovic

A artista está presente, aqui e agora, a performance, ela nasce como um artifício alternativo à pintura, em um debate profundo do espaço de criação do artista, há a ampliação das possibilidades da relação entre o artista e a obra.

Nesse novo contexto artístico, iniciado por volta de 1970, à artista Marina Abramovic, junto com outros diversos artistas, desenvolve propostas artísticas em um novo suporte, o corpo humano.

Na lógica da pintura da arte clássica, o artista está do lado de cá, e por meio de um exercício de criação na interação com a tela, que está do lado de lá. Os papéis estão definidos de forma clara, e a linguagem estabelecida é consolidada.

Já a performance começa como uma linguagem alternativa nesse debate, de busca da legitimação da sua autonomia como linguagem artística, Abramovic é o soldado que com sua bandeira e com muita intensidade, força e resiliência defende essa missão.

Por que isso é arte?

Uma das perguntas mais realizadas nesse caminho de legitimação. Artista, corpo e obra, se misturam. Construindo um paronama cronológico da trajetória de Marina Abramovic, sua apresentação histórica no Museum of Modern Art (MOMA), “This artistic is present” é o ápice dessa caminhada.

Imaginando esse ápice como um tipo reconhecimento de sua trajetória, ela se mostra ambiciosa, Abramovic, coloca como responsável por consolidar essa linguagem artística como objetivo de sua vida.

This artist is present é a expressão que comunica aos articuladores do mercado de arte, curadores, críticos, jornalistas, público e outros artistas, que essa proposta é muito além de profunda, emocional e intensa.

Quando Abramovic apresenta sua linguagem performática em um dos museus mais importantes do mundo, cujo título é “A artista está presente” ela consolida essa linguagem, como se essa expressão ou título fosse um carimbo regulamentador.

Em uma nova peça, Abramovic cria um cenário cinematográfico com uma simplicidade minimalista, com uma composição quadrada, com duas cadeiras e uma mesa é formado o cenário do êxtase de Abramovic.

Em uma interação humana, no mais profundo significado dessa palavra “humana”, ela apenas olha para os convidados, entre os dias 9 de março e 31 de maio de 2010.

No último dia dessa performance, Abramovic está de vestido branco, a pureza da artista é evidenciada, em um êxtase mental, físico e artístico, essa cenografia é desmontada. Seria o fim de Abramovic?

Após seu objetivo atingido, surge o discurso político do artista, o manifesto de Abramovic,

“Um artista não deve mentir a si mesmo, nem aos outros,
Um artista não deve roubar idéias de outros artistas,
Um artista não deve comprometer consigo mesmo, nem com o mercado de arte,
Um artista não deve matar outro ser humano,
Um artista não deve se fazer ídolo,
Um artista deve evitar apaixonar por outro artista”.
Marina Abramovic

Depois do ápice apresentado será que Abramovic quer apresentar a história da arte da performance, por meio de seu manifesto? como um caminho consolidado? E seu manifesto é o caminho a ser seguido por seus aprendizes performáticos?

Como um general que comanda sua tropa, Abramovic depois de ter conquistado com poucos soldados um novo território, estabelece as regras políticas, morais e os valores para quem quiser permanecer nesse território, nessa linguagem artística, chamada performance.

A artista está presente, ela é reconhecida como artista, a linguagem performática é reconhecida como artística, sua trajetória é representada por outros trinta artistas, são seis andares do MOMA somente com performance. Seu ápice, finalmente chegou.