O silêncio como autoconhecimento

Seja ouvindo uma música em seu smartphone, assistindo TV enquanto almoça ou conversando com várias pessoas pela internet, estamos vivendo conectados, acostumados com um meio ambiente onde os barulhos e ruídos fazem parte de nossa vida.

Imaginar o silêncio absoluto é insuportável, vamos começar refletindo um pouco porque não conseguimos acalmar nossos pensamentos, e buscar nossa tranquilidade interior. Nós temos no pensamento uma excelente ferramenta para refletir sobre nossa vida e em nossas emoções uma outra forma de vivê-la.

Imagine uma montanha, lá muito cavalos galopam de forma hormônica e bela, ao observar o galope individual de cada um deles é possível ver um ritmo entre suas passadas, faço a seguinte comparação, nós humanos possuímos duas dimensões.

A racional, digna das grandes reflexões, instrumentos de revoluções, eixo que nos ajudou a criar sistemas sociais que garantem nossa sobrevivência. E a emocional, digna de aspectos sentimentais e sensoriais, que oferece a autonomia da descoberta de todas as sensações físicas que nenhum robô pode alcançar, por enquanto.

A minha comparação do movimento do galope do cavalo no campo e como de forma hormônica ele cria um conjunto perfeito, como suas patas diferentes vão se cruzando e entrelaçando no decorrer de seu galope.

O ser humano também busca essa harmonia na experiência da vida, conseguir na interação entre nossa dimensão racional e emocional a condução de experiências de autoconhecimento, em uma busca de identidade, de inteligência emocional e evolução espiritual, o silêncio nesse momento se torna um ótimo instrumento para essa caminhada.

O silêncio é uma experiência interessante, imagine você, por alguns minutos em silêncio, feche seus olhos e perceba o quanto é difícil, imagine viver horas cultivando essa habilidade, o que a princípio era difícil se torna insuportável, porém, depois de alguns dias, você perceberá o início de uma mudança.

Essa mudança começará com um aumento leve de sua sensibilidade, como você começará a olhar de forma diferente as coisas que estão ao seu redor, a textura dos alimentos nos lábios e a atenção concentrada no frio das pontas dos pés, sendo alguns rápidos exemplos desta mudança de sensibilidade dos seus sentidos.

Um dos sentidos mais interessantes de ser observado nessa fase é a audição, depois de algumas semanas você se observará ouvindo as outras pessoas de uma forma muito profunda, sentindo cada palavra e expressão facial, você absorverá as mensagens de forma mais completa, plena e haverá uma troca mais rica nesses momentos.

Com esses exemplos, traço aqui um panorama de investigação que busca pensar o silêncio como forma de autoconhecimento, porém nessa busca consigo observar como estamos com uma ausência de diálogo com nosso lado emocional.

Vivendo em uma estrutura social que nos torna automáticos e robóticos em nossas atitudes, estamos por caminhar em direção à alienação, nessa momento torna-se claro o quanto o silêncio é perturbador, ele nos joga com toda a força em uma realidade em que não estamos acostumados a viver, ele nos deixa desprovidos de segurança, ele nos oferece sensações que não sentimos normalmente.