Fuga ineficaz

Andou sem direção, fugindo de uma guerra mortal. Seus algozes o perseguiram por algum tempo, depois recuaram. Mas o medo e as feridas profundas o faziam pensar que estavam sempre no seu encalço. Após algumas horas desmaiou de cansaço e dor. Sem saber exatamente em que lugar estava, algum tempo depois acordou:

“Então você está vivo?”

“Penso que sim”, responde olhando para os lados tentando reconhecer o lugar.

“Essa é a minha cabana, achei você caído na beira do caminho. Parecia fugir de alguma coisa”

“Quando cai no chão, pensei que fosse morrer. Estava numa batalha contra o Reino do Norte . Toda minha tropa foi destruída”

“E por que me conta isso sem saber de que lado estou da guerra?”

“Se eu fosse seu inimigo, é certo que já estaria morto”

“Boa resposta” diz com um sorriso no rosto. “A propósito, qual o seu nome, cavaleiro maltrapilho?”

“Nem cavaleiro, muito menos maltrapilho, me chamo Átila e sou arqueiro.”

“É só uma brincadeira, Átila. Meu nome é Hugo, onde está o seu arco?”

“Não o pude trazer para cá. Senhor Hugo, onde posso encontrar outro refúgio? Ficar na sua cabana além de ser perigoso para mim também o é para o senhor”

“Sair da minha cabana você consegue facilmente, mas dessa floresta não sei se é tão simples.” diz com o semblante sério e voz grave.

“O que quer dizer?”

“Essa é a Floresta da Solidão, local onde pessoas de espírito inquieto como o seu vão parar”

“E você é uma espécie de espírito guardião?”

“Não, sou apenas um velho que mora numa cabana. Você caminhava para cá, ajudei a completar o caminho”

“Eu caminhava para qualquer lugar que me livrasse da perseguição de meus inimigos”

“E você está livre. Eles não estão aqui”

“Vou poupar sua vida por ter poupado igualmente a minha” E se vira para sair da cabana

“Um arqueiro sem arco será uma presa fácil para os perigos dessa floresta”

“E que outra escolha eu tenho?” diz sem se virar.

Átila caminha pela floresta. A penumbra dificulta a visão do ambiente e ele anda de maneira cautelosa temendo encontrar alguma fera. Numa fração de segundo, consegue perceber alguém o observando atrás de uma árvore.

“Quem está ai?”

Sua voz ecoa como se viesse de todas as direções.

Aproxima-se com o punho fechado, pensando que encontrará alguma espécie de inimigo atrás da árvore. Vai até ela e não vê ninguém. Procurando rastros, subitamente é atingido no ombro esquerdo por uma flecha, que o faz gritar de dor.

“Droga, e estou sem meu arco. Apareça, covarde! Não há honra em combater um homem desarmado”

Sua voz ecoa do mesmo modo como antes.

O arqueiro procura algum lugar que o torne mais difícil de ser atingido, quando de repente ouve uma voz feminina familiar vindo de uma espécie de gruta.

“Átila você está aqui?” Pergunta assustada uma bela jovem de vestes nobres.

“ Princesa Criseida? o que faz aqui?” Se aproxima da jovem “No meio da guerra em que estamos, vossa alteza pode ser raptada por nossos inimigos”

“Não sei como vim parar aqui, mas pelo menos encontrei você, sei que estou protegida” diz com tom de alívio e senta numa pedra.

“Estou desarmado e acabo de ser atingido por uma flecha. Rápido! Esconda-se!

Átila sai da gruta, tentando de algum modo, achar seu algoz.

“Vamos, apareça, se pode me derrotar num combate homem a homem, apareça, sei que você é melhor do que isso”

Num movimento repentino, o herói sente algo vindo contra si e se prepara para bloquear ou esquivar de um possível ataque.

“Está louca? Você pode ser atingida”

“Apareceu uma criatura naquela caverna, tive que fugir, segui o som da sua voz”

No momento em que Átila está ouvindo a explicação de Criseida, uma flecha o fere fincando-se no seu lado direito, fazendo o herói gritar de dor.

“Átila!” Grita Criseida, apavorada

“Fuja daqui, se eu morrer há outros a guerrear pelo nosso Reino, mas não há outra princesa para assumir o seu lugar” diz caindo no chão

“Não posso deixar você aqui, seria injusto que o mais nobre dos guerreiros morra dessa forma”

“Minha vida não é importante, a sua é”

Mais uma flecha é atirada, dessa vez contra Criseida que está em pé. Átila, apesar de ferido, percebe que sua protegida será atingida por um golpe mortal e usa as forças que ainda guarda para servir de escudo contra o ataque do inimigo. É atingido mais uma vez nas costas e cai inconsciente.

Continua ….

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