Longitude Experience

A Macaco
A Macaco
Jul 28, 2017 · 5 min read

Por Carol de Amar

Olá! Eu sou a Carol, diretora artística dA Macaco, e quero compartilhar com vocês um pouco da minha experiência em um dos maiores festivais de verão da Irlanda. Mas, antes, um pouco de como e porque fui até ele.

Estou na Europa há 25 dias, fazendo uma imersão na cultura de cidades que possuem um conhecimento e prática de economia criativa mais avançados que o nosso aí em BH e no Brasil, em geral. Há 2 anos, logo que saí da pós-graduação, comecei a pesquisar e estudar o futuro da indústria criativa e do entretenimento, e a primeira coisa que identifiquei é que esse futuro já está rolando: é agora.

No Brasil, hoje, a situação do mercado criativo não é das melhores, como diversos outros setores, nesse momento político drástico que adoece a nossa economia. MAS, como estamos falando de um negócio que possui uma matéria-prima infinita e longe de sofrer escassez (que é a criatividade humana), talvez seja a melhor hora pra gente reagir e pensar em possibilidades que ainda não foram criadas, e é isso que estamos fazendo.

Minha sócia e toda a nossa equipe também estão em uma imersão no nosso QG, nessas últimas semanas. O papel deles é olhar pra dentro, para conhecer profundamente a Macaco Prego que existiu até aqui, quem somos, o que fizemos, o que as pessoas precisam e como podemos atuar a partir disso, e o meu é olhar pra fora, beber de outras fontes e trazer a bagagem intangível que não tem limite de peso e nem pode ser excepcionada para A MACACO, pra cidade e pra todo mundo que se envolve com a gente.

Nas duas pontas do oceano, estamos buscando evoluir internamente pra renascer.

Entre as experiências culturais e de show business que estão rolando por aqui, semana passada (14/07) consegui participar do LONGITUDE FESTIVAL, o maior festival de verão da Irlanda, com os maiores nomes do Rap internacional atual — muitos ainda não têm mercado ativo no Brasil.

É óbvio que um festival de primeiro mundo gera na nossa cabeça uma comparação que não pode ser feita, já que existe todo um histórico de existência e econômico, também de comportamento dos indivíduos, que influencia diretamente no resultado e na entrega.

Mas como atuamos em um país jovem, precisamos ter uma referência dos países mais velhos, que já passaram por todos essas dificuldades que estamos passando, em uma escala até bem maior. Fica difícil descrever essa comparação e detalhar como esse festival aconteceu durante 3 dias, todos esgotados, somando mais de 60 mil pessoas no total, com uma média de ingresso de R$280,00 por dia.

Prefiro descrever alguns pontos que me chamaram mais atenção.

A CULTURA COMO NEGÓCIO

Um festival que consegue se posicionar agregando cultura e business sem receber críticas sobre valor, postura ou ganho. Promovendo entretenimento, turismo e cultura, com alta margem e estimativa de lucro e não se tornar um monstro por isso, muito pelo contrário, é um privilégio pra cidade ser escolhida pro acontecimento.

É uma questão clara de formação de público que leva a um comportamento simples de que a cultura, como qualquer outro serviço intangível ou que envolva arte/ música/ mão de obra e capital intelectual tem muito valor, e do entendimento de que uma experiência bem vivida, muitas vezes, não tem limite de preço. Ou até mesmo do simples raciocínio de que: se eu gosto, quero e posso viver isso, isso é um bom negócio e eu vou fazer parte, mas, se eu não gosto ou não posso viver isso, isso não me diz respeito.

LIBERDADE

SER é SER. A gente de fora sempre vê que os “festivais gringos” têm um público muitoooo estiloso, lindo, maravilhoso, invejável e por aí vai. Sendo que as pessoas muitas vezes vão com o tênis sujo e o maiô de vários verões atrás (e nós de cá, babando nas fotos).

A questão do estilo é SER! A gente simplesmente admira e acha style quem não se preocupa com o que o outro vai reparar ou com a tendência de moda mundial, os maiores estilosos que usam a essência individual (que é única e exclusiva) e não conseguimos exercitar isso, por isso admiramos: “como eles podem ser assim?”.

Talvez eles não percam tempo se preocupando como vão ser vistos, e isso não acontece só nos festivais — é na rua, o tempo todo.

ACESSIBILIDADE

Parceria com todas as linhas de ônibus (principal meio de transporte), vídeos e orientações do secretário de segurança pública e outras lideranças, mapas e notificações a partir do momento que você adquire o ingresso.

Ahhh! Estudante não tem 50% de desconto (é um negócio privado, os órgãos públicos não têm poder de decisão ou interferência na venda) e eles são a maior parte do público.

TECNOLOGIA

Logo após a compra do ingresso, você é orientado a baixar o app do Festival e montar seu perfil, a partir daí ele te notifica sobre o horário das suas bandas favoritas, quais experiências você precisa visitar lá dentro de acordo com seu perfil e, também, sobre aviso de tráfego ou fluxo de entrada (como o waze).

PATROCINADORES

Eles entram de cabeça e potencializam tudo que for possível para uma experiência surpreendente do início ao fim. E isso, é claro, é privilégio de uma economia saudável, que esperamos em breve também desfrutar.

ENTREGA

2 dias antes do festival, fui até lá ver o ritmo final da montagem, mas cheguei atrasada. Só encontrei os seguranças cuidando de tudo que já estava pronto pro evento que começaria daí a 2 dias.

Rolou uma pane na entrada do primeiro dia, mas logo o diretor geral do evento apareceu nos telões assumindo a responsabilidade, pedindo desculpas e informando que já estavam trabalhando para corrigir esse erro no dia seguinte. Isso foi também para todas as redes do festival em um minitexto.

AUTORRESPONSABILIDADE

Todos são únicos e responsáveis pela experiência que vivem. Sem reclamar e nem se fazer de vítima, tanto público quanto organização. É um hábito simples de analisar, observar e não transferir a culpa sobre qualquer acontecimento. Assumir para solucionar, não para apontar.

Apesar de não termos nem metade da experiência, existência e ferramentas de incentivo disponíveis, tudo me leva a crer que já passamos da metade do caminho e isso também é estar à frente.

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