Então me abraça forte

Eram duas cervejas? Ou a terceira? Talvez a quarta. Não sei. Eu não lembro. Aliás, eu só lembro de ter visto aqueles olhos tristes.

Não.

Era uma dose de cachaça, ou duas? Talvez três. A terceira desceu cortando a garganta. Da mesma forma que cortava o coração. Isso. Precisava descer cortando. Precisava esquecer aquele abraço aleatório no meio da quadra. Eu nem esperava ve-lo tão ali, tão ele. Andando em minha direção. Fingindo que não estava me ignorando todos esses dias.

Que droga!

Ansiedade. Loucura. Mais uma dose? Uma cerveja. “Porra, derrubou duas cervejas Amanda?” foi, derrubou. Aquela cerveja precisava estar em meu corpo e não derramando lá no chão. Mas estava dormente, não conseguia agir rápido e salvar aquela garrafa. Outra dose? Que bom, obrigada. Aqueles olhos, meu Deus, me diga o motivo deles não saírem de minha mente? Eu vou enlouquecer.

O cabelo. O abraço. O sorriso de canto de boca. “Tudo bem?” Não, cacete! Não está tudo bem! Na verdade tudo está péssimo. E sabe, grande parte da culpa é sua. Qual o seu problema? “Tudo sim, e com você?”. Odeio viver toda a vida pensando que posso magoar as pessoas quando elas me magoam o tempo todo.

Uma tragada? Duas. Talvez três. Não sei, perdi as contas. E mesmo assim meus olhos procuravam os teus. Apaixonada? Não, isso não era possível. Se apaixonar não é pra mim, não por você. Não por alguém que não pode me entregar nada. “Não fomos feito um para o outro” ecoava na cabeça. Eu ria. Ria muito. Beijei outras bocas. Talvez uma. Mais um gole de cerveja. Mas o vazio no peito me empurrava mais pra solidão. Só eu sabia o quanto doía. Não choraria ali. Talvez depois. Quando ninguém visse.

Pele dormente, você olhando de longe. “Preciso falar pra ele” o quê? Que eu to louca por ele? Pra o quê? Receber o quê? Nada? “Ele não pode te entregar nada, Flávia”. Mas eu posso, eu posso? Eu devo? Não. Eu só queria mais um copo.

Como parei em casa, aqui sozinha? Ouvindo uma música triste? Estou sozinha. Novamente esperando um sinal de vida.

Dele ou minha.

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