A morte do ator Domingos Montagner e a imprensa que caça likes

Foto: Reprodução Facebook Domingos Montagner

Ontem quando vi a primeira notícia de que o ator Domingos Montagner havia sumido nas águas do rio, o primeiro ímpeto foi de torcer que ficasse bem. Em poucos minutos, a timeline do Facebook e Twitter foi invadida pela notícia. Com elas, milhares de comentários, likes e tudo mais. Como jornalista, não pude deixar de analisar a forma como a notícia era tratada. Mas o que realmente me preocupou, foi quando houve a confirmação da morte do ator.

Não demorou para todos os veículos publicassem a informação, até mesmo aqueles que em geral, não tratam do noticiário nacional. Mas claro, quando é tragédia, a linha editorial é esquecida. Para esses veículos, o importante é a repercussão, os acessos, os likes. A apuração é inexistente, fica a cargo apenas dos maiores portais, enquanto os demais trabalham no velho ctrl c+ctrl v.

Do outro lado, internautas estavam furiosos com a rede Globo por não ter uma cobertura contínua sobre o fato. OK, pode parecer estranho que ele esteja lá morto, e na TV a Malhação continua. Enquanto isso, outros veículos como a Record e Band derrubaram todas as pautas para colocar no ar a cobertura da tragédia, durante horas.

O momento é de dor, tragédia. Não há espaço para especulações, teorias. Portanto, como sustentar a transmissão? Não tem especialista pra entrevistar, o que em outras coberturas cabem.Não tem lógico alguma, a não ser pelo puro viés sensacionalista, como muitos programas fizeram.

É um momento delicado, cada palavra deve ser escolhida com cuidado, mas certamente não é necessário, muito menos ético, manter o espectador ali, quando não existem novas e relevantes informações. Entendo que as pessoas possuem uma ânsia de saber, o que penso ser algo muito estranho, mas deixo para a psicologia e afins. Ao procurar uma foto para ilustrar a presente reflexão, digitei o primeiro nome no Google. De imediato o site sugeriu ‘Domingos Montagner morto fotos’. Isso representa bem o que quero dizer, mas que não sou especialista para explicar essa curiosidade, ou seja lá o que for.

É algo semelhante ao que aconteceu na morte do cantor Cristiano Araújo. Não demorou para rolarem no whats as fotos dos corpos. Mais grave que isso, alguns veículos publicaram essas fotos. Fico pensando até onde os limites podem ir. Ou para essas pessoas o limite não existe? Vale tudo pelo acesso, pelo like, pelo maior número de compartilhamentos? Por essas e outras razões que vejo o Jornalismo como algo muito sério, que não pode jamais ser feito por amadores. É preciso ter ética, respeito e bom senso. Coisas que pra tudo na vida não fazem mal algum. Sigo na esperança de um dia ver uma imprensa pautada nesses valores.