Rodoviárias: partidas, chegadas, incertezas e liberdade

Rodoviárias são lugares únicos. Desde as pequenas, bucólicas e pacatas no interior até às grandes, por onde passam centenas ou milhares de pessoas todos os dias. Algumas apressadas, outras com tédio pela longa espera nos bancos nem sempre confortáveis. Com café, ou com refrigerante, não importa, afinal tudo é caro.

Em resumo, existem dois tipos de pessoas. As que partem e as que ficam. Geralmente as do segundo grupo ficam mais tristes.

Também existem dois momentos. A chegada. Quando a chegada ocorre após muito tempo, é ainda mais especial. Dá pra sentir o cheiro de casa, melhor quando tem alguém pra te esperar com um caloroso abraço. A sensação de estar em casa, tão unica. Só quem vive longe da sua raiz é que sabe.

A partida, é a pior parte. As que ficam, observam com o coração o apertado as pessoas que amam. O ônibus vai longe e você não sabe ao certo quando será a próxima vez, afinal a vida é cheia de incertezas.

Pais que embarcam os filhos para a faculdade, provavelmente os mais sentidos, sabem que é o certo, mas no fundo sofrem por não os ter ali no aconchego de casa.

Companheiros que se despedem uns dos outros, por pouco ou muito tempo, parentes acostumados com a breve visita de familiares, são alguns dos que ficam. O abraço apertado da despedida, o beijo, o “se cuida, avisa quando chegar”.

Lágrimas, esperança, saudade, incertezas. Coisas certas em rodoviárias. Tão certas como as malas, travesseiros e cobertas e caras de sono pela manhã.

Para quem parte, também existe a lágrima. O coração apertado de ir embora. Nem sempre é olhar para o horizonte e ver que é a coisa certa a ser feita. Podem passar muitos anos, a sensação de partida é a mesma, dolorosa e presente. Mas também é a certeza de tentar. Certeza de não se arrepender de buscar a liberdade, o emprego dos sonhos, o diploma dos sonhos ou um grande amor. A felicidade pode estar em qualquer lugar. Perto ou longe. Às vezes é difícil ir atrás dela, mas certamente é necessário buscá-la. A vida é curta demais para não ter coragem.

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