não é a tristezinha do tumblr.

As formigas trabalham lentamente pra lá no final ter uma coisa bem bacunuda de resultado. Mas é lentamente mesmo. Comparando o tamanho da formiga por uma folha que ela leva pra sei-lá-onde é bem foda o trabalho delas, porque no final tem um formigueiro e um monte de folhas. Viver com alguém que tem depressão é tipo como se você fosse uma formiga daquele grupo. É uma foda, porque às vezes demora demais para chegar num resultado que você quer ou esse resultado é só um sorrisinho amarelo daquela pessoa que você ama muito e que tem a doença, mas tudo bem, contente-se, o resultado final do dia é esse, ok. Amanhã é outro dia. Amanhece o dia. E mais um dia de formiga.

Comparando minhas forças a de uma formiga, eu vi que precisava de mais gente para tirar de vez minha irmã da depressão. Conversei com duas amigas que tem a doença e que eu jamais, nunca imaginaria, que também conviviam/convivem com esse problema. Uma amiga disse que a doença é pra sempre e que ela precisa de manutenção, delicadeza, cuidado e amor. A outra amiga também disse a mesma coisa.

Ano passado e até o começo desse ano eu tive uma certa raiva da doença e de todo mundo que tinha. É, desculpa. Compreendia, mas não entrava na minha cabeça essa “inércia”. Culpo o ascendente em áries que é explosivo, complicado e cabeça dura. Entender e aceitar que uma pessoa que você ama tem depressão é difícil no começo, mas depois que a gente entende que é uma doença, começa esse trabalho de formiga num nível hard, uma onda do bem, para amenizar esse vazio que a pessoa sente.

Convidei pessoas queridas que me ajudasse nisso. Uma ligação surpresa, um email surpresa, um vídeo que ela se identificasse, uma marcação no instagram, meus pais a convidando para um crossfit (eles fazem, os dois, rs), ou até mesmo um filme com os três juntos. Ainda não conseguimos fazer todas as coisas que planejamos para deixá-la, de um certo modo, com um mood alegrinho. Porque ela é uma pessoa alegre. A depressão não é sobre ser alegre. Definitivamente não é isso. Minha irmã ri. Quando você olha, logo que pensa é que ela é uma menina feliz, afinal ela tem tudo. Uma casa boa, um carro, pais dedicados, uma vida boa, o resto é correr atrás. Ela correr atrás. Parece que às vezes a depressão sai de férias e o que você pensa é: “Nossa, agora vai! Agora ela melhorou. Foda”. Mas não. Sabe aquela cena do filme 500 dias com ela? Tem aquela cena maravilhosa sobre a realidade e a expectativa do personagem principal. A depressão é um pouco disso, mas para quem tá de fora. Somos os expectadores. Torcendo baixinho pra dar tudo certo. Às vezes dá mais ou menos, às vezes dá quase certo, às vezes pode não dá.

É isso. Essa doença é assim. Uma completa doença da incerteza. Gostava de pensar que isso era só uma fase, mas não era, não foi, não está sendo. Estamos conseguindo, aos pouquinhos, aquelas pequenas vitórias. Tipo: tirar a carta de motorista; sair mais com os amigos; ou planejar juntos qual curso ela vai fazer no meio do ano. Fiz esse texto pra quando a impaciência bater, eu vou voltar aqui, respirar e repetir mil vezes que tudo vai ficar bem. Que a receita, que uma amiga me disse é o amor. 100% amor.