Espiritualidade de shopping
Felipe Moreno
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A crítica é relevante e vim emocionada do facebook ao ler o título. Mas o discurso peca em alguns-vários detalhes.

O fim é abominável, a conclusão é praticamente um guru “humano” que ensinou pelo exemplo o que é humildade. Velho Sábio já faz sucesso há eras como elemento mitológico. Isso é o enredo mais “espiritualizado de shopping” que o resto dos exemplos. Pensei 2x se o final era ironia, já que o texto tem muitos elementos de deboche.

O material é uma boa análise social, o texto percebe a mercatilização da espiritualidade e seus “tipos de público-alvo”, crítica a falta de aprofundamento dos praticantes e identifica os modismos (quem nunca?), contudo, é generalista demais de um jeito preconceituoso. Um teor impessoal se mistura com a visão pessoal do autor de uma forma que é injusta. Sim, injusta e com opiniões quase…raivosas. Não li uma crítica social e um potencial de discussão, li um protesto e uma ode ao sofrimento como método de transcendência (o que é válido, claro, mas achar que esse método é melhor é pessoal, não é coerente com a humildade e com o respeito que foi o mote final do texto.) Esse discurso pode entrar para o tipo de perfil de mercado “o intelectual irritadinho que quer espiritualidade séria, mas não sai do clichê romântico do que ela seria.” Humm, muito longo, talvez alguém possa pensar mum termo melhor que eu.

Eu nem vou entrar na questão das drogas. Isso já é assunto batido desde os anos 60. Sexo, drogas e rock’roll, ops, mantras indianos, é uma tendência óbvia que nunca fica velha.

A parte de versus raiz e nutella ficou tão incoerente. Se não dá para comparar pelo contexto então, PQ, DIABOS, comparar? Tem coisas ótimas ali perdidas que perdem profundidade por causa dessa manutenção eterna do paradoxo “versus”, preto e branco, abstrato e concreto, sagrado e profano, melhor e pior, etc.

A persona autoral (porque o autor também é um máscara) diz que prefere os problemáticos e os coloca mais perto de Deus do que os pretensamente evoluídos com a New Age. Ok, faz parte, é uma opinião (mas de certo modo, se eles são orgulhosos e presunçosos, eles já não são problemáticos também? céus, isso ficou tão confuso na leitura.)

Se a minha persona pode opinar, eu digo: não é da minha conta se uma pessoa está perto de Deus ou não, pois se eu inferir que ela está ou não está, vou fazer isso em comparação com a minha trajetória e com a de pessoas que eu admiro. Pq eu tenho que gastar energia julgando o amiguinho se posso gastar refletindo numa amplitude maior de compreensão? E comparar dimuindo ou enaltecendo é sair da horizontalidade que a humildade prega, afinal, descutir sobre ideias é bem diferente de discutir sobre pessoas.

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