ensaio sobre a cegueira

Eu olho pra longe e a minha vista embaça.

Já não vejo mais como antes 
claramente, 
o que já não quero ver.

Já não vejo ao longe 
Não enxergo muito a frente.

A luz desmancha no horizonte 
E as palavras que já não eram bem ouvidas 
Agora não são vistas.

Há o alívio e a pressão do indolor não. 
Há cansaço e canção 
Num lugar onde a luz já fez festa 
E era bem quista 
Bem vista.

Agora se desmancha no horizonte quieta, 
Graciosa 
Sem armações e vidraçarias que a impeçam 
De definhar sozinha,
Incontida.

Já não vejo o longe. 
Não enxergo a frente. 
Já não há horizonte que me impeça 
De ignorar o que eu não quero ver.

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