Se formar ou ser professor?

Quando fui questionada a 2 anos atrás sobre qual era a importância do estagio a resposta era óbvia: além de ser um requisito, exigido por lei, para se formar no curso de bacharel e licenciatura, todos já tinham decorado que o estagio também era um momento de vivenciar na pratica as teorias acadêmicas.
Aproveito esse espaço então para fazer uma reflexão um pouco mais pessoal sobre estagio, sobre educação, sobre se sentir professor (ou não), e principalmente sobre a sensação maravilhosa de entrar numa sala de aula e não ter a mínima noção do que está fazendo. 
Eu sou uma aluna repetente de prática de ensino IV (e de tantas outras matérias, é verdade), isso significa que eu já havia cumprido uma boa parte das horas de estágio quando estava no segundo ano da faculdade, então com 20 anos. Naquela época licenciatura era algo novo pra mim, lidar com temas educacionais parecia algo muito impensado pra alguém que mal tinha saído do colegial, portanto, minha visão sobre o estágio era muito diferente…arrisco dizer até que sem paixão.
Talvez se eu estivesse escrevendo essa introdução a 2 anos atrás, seria bem possível eu copiar e colar a parte do manual de estágio em que ele explica a importância desse processo, de forma fria, objetiva e técnica.
O problema é que educação não é fria, objetiva e técnica (por mais que nosso atual governo queira que assim seja). A escola não deveria ser fria, objetiva e técnica e as crianças, definitivamente, não são frias, objetivas e técnicas. 
A escola e toda a estrutura que a compõe é um organismo vivo, peculiar, de vontade própria que precisa ser muito bem observado para ser entendido. 
Quando dou essas características para a escola penso em fazer uma analogia com plantas. Eu, que sou muito ligada em jardinagem, sei bem que quando planta-se uma muda demora um tempo para ela vingar. Você precisa regar, observar se as condições em que ela está inserida favorecem seu crescimento, e se não, precisa arranjar outras estratégias para que ela se desenvolva. Se você conhece bem sua planta, com certeza você sabe se ela fica mais feliz na sombra ou no Sol, com certeza você sabe quantas vezes por dia ela gosta de ser regada e se ela se dá bem dividindo o espaço com outras companheiras. 
Todas essas peculiaridades nós só descobrimos com sensibilidade no olhar e tempo de convivência , e é preciso estar observando sempre, já que uma planta também é um organismo vivo e tudo que é vivo muda, transforma, evolui, escolhe talvez outros hábitos. 
Uma escola então é como uma planta, você precisa observa-la, entender como funciona, cuidar sempre dela para que se desenvolva. 
Estagiando nesse ano em 2 escolas aprendi também que se uma escola é como uma planta uma “rede de escolas” é como um jardim. 
Se você tem um jardim em casa você sabe que não funciona regar as suculentas no mesmo tanto que você rega suas samambaias. As duas podem habitar o mesmo jardim, mas tem hábitos diferentes, assim como a EMEB Ramiro pertence à mesma rede de ensino da EMEB Patrícia, mas funciona de uma forma totalmente distinta. 
Hoje acho que estágio é quase como uma meditação, é estar presente e procurar sentir o máximo possível daquela situação. É observar as coisas com um olhar além daquele que só serve para preencher as fichas obrigatórias. Pode ser o momento em que você se sente professor pela primeira vez, ou pode ser o momento em que nada faz sentido e você não entende pra quê serve tanta pedagogia no mundo se elas estão todas misturadas ali na sua frente. 
Quando eu comecei a notar tais coisas olhei para minhas dependências de forma tão diferente que pensei em mudar o nome delas para “minha chance de ressignificar o olhar sobre coisas super importantes e que eu não estava dando a mínima (ou não enxergava)”. E não só isso, comecei a notar que o jeito que levamos a nossa graduação, com ânsia de terminar rápido e então exercer a profissão nos tira a oportunidade de em primeiro lugar entender o que é ser professor, nos tira o direito de ter medo de ser professor, nos tira o direito de nos alegrarmos por sermos professores. 
Agradeço por essa segunda chance. Que eu seja um professora que observe, converse, regue, cuide e não apenas pode as plantas.

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