Ida e volta, por favor.
Já perdi a conta de quantos bilhetes de ida e volta comprei para essa história. Me apaixono e me desapaixono por você como o alcoólatra de fim de semana que na segunda diz que não, mas na sexta já acorda com a garrafa aberta.
Não é amor poético. É poesia curtinha mas cheia de rima. Me canso do todos os seus muros mas logo pego uma escada para conseguir ver o que tem do outro lado. Tem dia que só vejo silêncio. Em alguns domingos vejo sorrisos. Quando eles encontram meu olhar curioso, pulo de cabeça no seu mar. Em algumas tardes, te pego distraído, te levo para um mergulho e vejo uma risada escapando do seu olho pequeno e quase sério. Você gosta. Mas o muro é alto, eu sei.
Desço dali e sigo com meus dias e minhas outras histórias. Te encontro outra vez em uma mensagem distante mas cheia de cuidado. Verdadeira mas direta como um soco. Afago áspero mas valioso. Amor retorcido que a cada dia dura um minuto mais.
Tem dias em que o nosso improviso te passa uma rasteira e você derruba uma declaração de amor enferrujada e faz planos para um futuro de mentira. Dou risada da sua pouca prática e tenho vontade de te engolir com um abraço. Mais uma passagem para outra viagem de fim de semana.
Eu me pergunto se isso poderia durar mais ou se nossas malas estão muito carregadas para um passeio mais longo. Penso nisso cinco minutos e subo de novo no trem que me leva de volta a meu todo dia.
