Mais uma vez

Esse ano, março me deu bom dia com um beijo gelado no rosto. Em troca, como agradecimento ou desejo de boas vindas, o recebi com um nariz vermelho.

Mas, a verdade é que não falarei de temperatura. Ao menos não como foco principal. Nem de longe sei prever o tempo. Apesar de que, ainda me arrisco nos antigos concelhos de minha vó e toda vez que vejo uma revoada de andorinhas digo: vai parar de chover. Mas também não se trata de uma história sobre gripe, já que, geralmente, gripados tendem a avermelhar suas narinas.

Acontece que nasci nesse mês. Em alguns dias faço um ano a mais. Ou um ano a menos. Não sei. Ainda sou nova e provavelmente não cheguei na metade da vida. A questão é que, cheguei em uma idade que não diz nada sobre mim.

Quando criança, aniversário era motivo de festão, a família toda reunida, a criançada correndo e brincando. E eu, por até então, ser filha única, era a princesinha. Literalmente. Porque sempre usava um vestido das princesas da Disney ou princesa de flor. Eu lembro da ansiedade de ter um ano a mais, de ir pra minha festa e de ganhar muitos presentes e me entupir de comidas de festa. Lembro que quase sempre chovia. E se não chovia o céu nublava. Sempre carrancudo. Mas sempre feliz. Lembro que, além dos brinquedos, ainda ganhava roupa de inverno. Afinal, logo esfria.

O dia do meu aniversário eu gosto, confesso. Início do outono. A estação mais bonita. Lembro que muitas vezes confundi com primavera. Coisa de criança.

Agora fazer aniversário ou estar em um dia normal parece igual. As festas não tem a mesma alegria. Nem tanta gente. Isso quando há festa. Crescemos. E a vida adulta, vida de quem passa da maioridade, não indica nada. Nada além de envelhecer. Fazer mais um aniversário não significa que a vida me trará coisas, e o provável é que eu precise correr ainda mais para buscar algo. Qualquer coisa. Por menor que seja.

As coisas, agora, não dependem de mais números. Dependem de mim. E, mais uma vez, mais um aniversário se aproxima.