Ela está bem. E eu também.

Sempre ouvi dizer que a vida é imprevisível, que “Deus escreve certo por linhas tortas” e tudo que acontece por um motivo. Não discordo. Mas que ás vezes nos dá socos e mais socos seguidos, isso é um fato.
Há alguns meses, vi a vida da minha mãe ficar praticamente por um fio. Eu a vi frágil, deitada em uma cama de hospital, dormindo na maior parte do tempo e, quando acordada, sempre perguntava como estavam as coisas em casa, se eu estava cuidando da minha irmã… Não deixava de pensar na rotina.
Eu me fiz de forte durante a maior parte do tempo. Enquanto as pessoas a olhavam com tristeza e preocupação, me esforçava para tratá-la como se estivesse somente descansando e logo voltaria para casa. Conversava amenidades, puxava assuntos aleatórios, qualquer coisa que a fizesse esquecer pelo que passou.
Foram semanas com a incerteza do que aconteceria no dia seguinte. Com o medo recorrente de que o pior acontecesse. Eu me agarrava ao máximo em pensamentos positivos, mantive sempre a esperança de que tudo voltaria ao normal.
Hoje, eu a observo fazendo as tarefas em casa, indo e voltando do trabalho como sempre fez, mas não é mais a mesma pessoa. Obviamente. Percebo que ela está mais frágil, que o tempo passa de uma forma diferente. Porém tenta levar a vida como se nada tivesse acontecido e eu também tento seguir dessa forma.
O tempo que passou no hospital é como se fosse um borrão na minha memória, fiz questão de esquecer os momentos tensos de incertezas. Tento focar somente no depois, em como tudo foi se realinhando e voltou às rédeas.
A vida para mim agora não passa de um fio, que dependendo da força colocada, pode se partir e sem chances de emendar novamente. Tudo passa rápido demais, hoje posso estar pensando em viajar, amanhã talvez não esteja mais aqui e não quero deixar nada por fazer e nenhum desejo sem realizar.
