
o peso das coisas não resolvidas.
dilacera o peito silenciosamente. e não há doses de álcool ou excessos de glicose que diminuam o estrago. a sobriedade do dia seguinte chega e o peso das coisas não resolvidas te arrebenta feito ressaca moral. e não existem fórmulas mágicas, terapias inovadoras ou mantras espirituais capazes de evitar o choque. em alguns a culpa recaí feito choque térmico. um susto. quando você vê está pensando naquilo que não fez. naquilo que não disse. naquilo que você não resolveu. e o “deveria ter” parece ter cinco dedos capazes de estapear seu rosto virgem de brigas de rua.
e ai que você quer mandar um e-mail, adicionar novamente, executar um sinal de fogo ou uma corrente que chegue até a coisa não resolvida. e não existe um caminho mais fácil ou quem faça por você. então você adia. então coloca na espera. então toma alguma coisa para dormir antes das neuroses te encontrarem, e os dias passam feito bolhas de sabão quebrando no ar.
o peso das coisas não resolvidas inquieta qualquer corpo estável. repercute como uma notícia ruim mal digerida. ou você engole ele ou ele engole você.
