
sinto um cansaço em minha existência.
os dias se passam em slowmotion, as manhãs calorosas estão cada vez mais frias e cinzas do meu ponto de vista, minha percepção está cada vez mais deplorável. sinto uma insignificância cósmica, sinto um pequeno monstro usando meu ser como moradia, sinto ele crescendo em mim, ele é faminto, percorre pelas minhas veias e rasga psicologicamente minhas artérias, sugando meu elixir existencial que há em meu sangue e alma. ao acordar sinto ele sobre meu peito, fixando suas garras sobre meu peitoral, garras perfurando cada camada de pele até o pulmão me causando uma asfixia ao pensar no esforço que tenho para levantar e viver mais um dia. faz com que eu tenha pesadelos, faz com que todos os dias seja uma batalha para levantar, respirar, caminhar. ele cresce e se torna mais forte, meus ossos sentem um frio como se ele tivesse trazido um inverno extremo em minha estrutura óssea, sua partida é provável que nunca se realize.
seria mais provável eu partir, ou me tornar cada vez mais esse monstro sendo ambos um só, uma pessoa terrível e que só faz os outros terem vergonha de conviver.
como fugir de algo que veste sua pele e toma como sua? como fugir desse parasita psicológico que necessita de seu consciente como um hospedeiro?
