Os equilusionistas

Números agressivos com faca e amolador
ameaçam trucidá-los lá embaixo
ambos fingem não notar amassam papéis
não param de sorrir para o rostinho à porta
e tropicando sob a corda
acumulam mais extratos da cor do amor
enquanto produzem canções de ninar
belíssimas sobre banquetes vassalos
faber castelos chinelos felpudos hambúrguer
viagens ao shopping e cinema.
Os dois ignoram mais um telefonema da cobradora
e usam suas habilidades circenses
um leva na cabeça o copo de leite morno e gibis
e quem sabe o outro tira moedas e risadas da cartola.
A formiga que ainda não sabe que será operária
muito satisfeita fantasia fecha os olhos para dormir.
Quer trabalhar de astronauta e sua mãe acha lindo
e por isso espera voltar para o emprego de secretária
pagar o atraso de seis meses do colégio
e poder dormir em paz,
mas a corda muito lhe atrapalha.
Dá torcicolo.
