Balinha de coca + chá de coca = gratidão eterna

Um dos temores de quem viaja para Cusco e região é o Soroche — ou mal da altitude (para outros, mal da montanha). Já me adianto: não menospreze a montanha. O que para muitos é lenda, para outros é realidade. Você duvida que vai passar mal até que, em plena Plaza de Armas, sente uma palpitação assustadora. Mas, sobrevive… e quando incorpora à rotina de turista alguns costumes locais tudo tende a seguir perfeitamente bem.

Não me considero alguém que entende do assunto, muito pelo contrário. Antes da viagem e nos dias que passei em Lima tive medo do Soroche, para não dizer pânico. A ideia de passar a viagem vomitando e tendo dores de cabeça alucinantes não é nada animadora. São tantos os relatos de gente que não se deu bem — e tantas pessoas por lá passando mal — que você tende a ficar um pouco impressionado.

Se eu pudesse deixar algumas dicas para mim mesmo, no futuro, seriam…

Chá de coca. Quando em Cusco ou região, não dispense jamais uma caneca de chá de coca, mesmo que isso signifique insônia. A bebida entrega vários benefícios, entre eles: auxilia no processo digestivo, é diurética e estimulante respiratório, além de ajudar a equilibrar a instabilidade de processos que produzem a fadiga. Milagroso mate de coca!!

Folha de coca. Não é gostosa, mas também não é terrível. Aja como um local e masque umas folhinhas de coca assim que o enjoo bater. O efeito, claro, é semelhante ao do chá de coca — só que ajato. Outra dica é “potencializar” o efeito do chá de coca com umas folhinhas a mais. Afinal, o mate que bebemos nos hotéis e restaurantes geralmente é aquele industrializado — aceito de presente — então nada como um toque extra, não?!

Bala de coca. Sim, coca. Muita coca. Se está difícil de beber o chá de coca e a folha de coca não desceu bem, invista nas balinhas que, além de gostosas, são bem eficazes. Pode ser que o gosto seja amargo (hora de largar a frescura de lado, hein), mas é um jeito bom de segurar a sensação de indisposição em momentos como no meio de uma visita, na viagem de trem, enquanto sobe uma escadaria sem fim, ou algo assim. Ficou sem ar? Tasca uma balinha… Vai vomitar? Balinha! Juro.

Descanse. Não adianta, na altitude não há como lutar contra os pedidos de socorro do seu corpo e tentar virar os dias, como fazemos em lugares incríveis. Dormir bem é importante, assim como deixar o seu corpo relaxar e recuperar a energia. Tudo parece mais difícil a mais de 3.000 mt de altitude. Não deixe o soroche te vencer! Mas, não queira lutar contra ele.

Vá devagar. O Vale Sagrado é montanhoso, com construções repletas de escadarias, e você não vai querer ser um turista superficial que fica só na janelinha. Por favor. Se você foi até lá — e sabe que a região é muito mais do que Machu Picchu — é preciso se jogar de cabeça (não literalmente, calma lá). Não dá pra correr, ok, então diminua a velocidade para conseguir chegar até o final. Caminhar, parar, descansar; caminhar, parar e descansar é a receita para sobreviver e bem.

Sem exageros. Comer pouco, beber menos ainda. Eu sei, você está no Peru, quer beber pisco e comer lomo saltado. Mas, talvez o melhor seja deixar as refeições pesadas para Lima e segurar a boca quando em Cusco. A cidade tem ótimos restaurantes e se você quer aproveitar para comer bem, sem medo, vale marcar o jantar para mais cedo. Tudo isso porque a digestão, em altas altitudes, fica bem mais lenta… e mais difícil. O ceviche, claro, sempre cai bem. Delícia!

Menos é mais. Nesse caso não estamos falando de soroche, mas de eficiência. Você não está indo para um desfile de moda, mas para uma experiência de vida. Se você quer viver o destino, o lugar é perfeito para desapegar dos excessos e levar apenas o necessário. Computador, acessórios, gadgets, produtos de beleza em exagero, tudo isso pode e deve ficar no Brasil. Mesmo que você não tenha nos planos uma Trilha Inca. Vá de espírito aberto, livre do que te aprisiona, e pronto para conhecer coisas que vão, sem dúvida, mudar o seu jeito de ver o mundo.