Resenhas de filmes ruins de sci-fi

Quatro avaliações

Passei parte da madrugada insone dando uma olhada na seção “ficção científica e fantasia” da netflix, e escolhi quatro filmes ruins para assistir.

O primeiro foi Impacto profundo, cortado apenas para as cenas de tragédia e obliteração da raça humana. É um filme ruim de 1998 porque tudo dá meio que certo, quando não deveria dar. Mesmo enfiando um monte de bomba atômica num cometa de 10km (de raio? de comprimento? Presidente Morgan Freeman não explicou direito) ainda é um corpo celeste gigantesco, com a mesma massa, que se chocou contra a Terra, ainda que fragmentado. Não rola do Elijah Wood adolescente ficar numa montanha com a namoradinha vendo o cometa cair em pedacinhos feito fogos de artifício depois de correr numa motinho contra um tsunami que varreu toda a costa leste dos EUA e pelo que entendi meia Europa, África e América do Sul. Fora que dá a entender que os EUA ainda continuaram uma nação, o que é completamente implausível com a quantidade de destruição de um impacto. Profundo. Mesmo que tenha sido só um primeiro impacto profundo.

2/10 estrelas vi só 20% do filme ou seja a partir do momento que a Tea Leoni vai pra Cape Cod em menos de duas horas, e ainda passei rápido algumas partes

O segundo foi Ludo, um filme de terror indiano de 2015 meio que sobre adolescentes muito a fim de transar em Calcutá. Não tem beijo porque Bollywood ainda considera beijo obsceno, mas tem uns rockinhos em hindi na trilha sonora sobre como é gostoso transar da perspectiva do que parece ser o grupo musical O Surto local. Os adolescentes não conseguem entrar em motel porque não tem como provar que são casados, o que é interessante de se notar, pois estão na área urbana de uma das maiores cidades do mundo e ainda assim é complicado arrumar local.

O filme começa mostrando esses jovens com direito a legendinha com o nome deles, e parece que vai ser um filme sobre eles até que lá pela metade eles entram num shopping que está fechando e são interrompidos nas preliminares por um casal de velhos. Esses velhos são do mal e é aí que o terror começa.

Começa mais ou menos, porque depois de matar metade do elenco num jogo inexplicável de ludo (ou parquís) a velha começa a contar sua história e do parceiro, e o filme passa a ser só isso.

Sim, metade do filme é sobre esses adolescentes a fim de transar, a outra sobre esses velhos do mal, que são meio que vampiros?

E o jogo é meio que amaldiçoado, mas não é nenhum Jumanji, é só do mal mesmo, e tem as mesmas regras do ludo que jogo com o meu filho, só que meu filho rouba mais no jogo do que os velhos do mal do filme.

Aí o filme acaba. Eu assisti acelerando o máximo que podia da história dos velhos e foi chato.

3/10 estrelas pelo estranhamento cultural

O terceiro filme foi Autómata, uma produção hispano-búlgara de 2014 com Antonio Banderas e Melanie Griffith bem na época do divórcio de boas dos dois. A premissa é interessante pois se passa num mundo pós-apocalíptico com um downgrade tecnológico onde robôs bonzinhos cuidam do que sobrou da humanidade uma vez que não conseguiram impedir o processo de desertificação do planeta que acabou com 99% da vida na Terra.

Esses robôs seguem dois protocolos básicos, ao contrário dos três do Asimov, que são “ não matarás” e “ não baixarás software pirata para consertade-te assim que quebrardes”, e infelizmente temos a revelação que o segundo protocolo, e não o primeiro, foi quebrado, o que significa que deu ruim os robôs ficaram inteligentes.

Mas só a premissa é boa, o resto é copiado de Blade Runner, e os diálogos são tão sofríveis que eu pulei quase toda interação entre humanos no filme, tirando o cameo da Melanie Griffith pois sou muito fã de Working Girl. Por exemplo tem um policial do mal no filme que não tira o rayban pra nada e infelizmente não é um personagem intencionalmente cômico.

Na verdade nem os robôs são tão interessantes assim, só abrem a boca pra repetir aquelas baboseiras filosóficas que sinceramente se eu quisesse ouvir isso tinha revisto Cosmos.

O filme todo é um conjunto de ideias interessantes de sci-fi muito mal-executadas, com aquela paleta dessaturada que sinceramente já deu.

4/10 estrelas pois consegue ser menos pior do que Elysium

O último filme foi Love, um filme de astronauta de 2011. Ao contrário do filme do filho do David Bowie esse filme usa uma trilha sonora muito brega, uma porção de voice over, e começa com cenas de uma batalha na Guerra Civil Americana o que por si só já é red flag. Foda-se eu vi mesmo assim, acelerando pra quando o astronauta percebe que o mundo meio que acabou e resolve cometer suicídio. Antes ou depois disso (eu não me lembro, estava tarde e eu acelerei muito o filme) ele descobre o diário desse sujeito que após a Guerra de Secessão é enviado numa missão para descobrir um objeto misterioso.

Bom o que mais me chocou nesse filme é como só tinha homem branco na tela. O filme é entremeado por depoimentos de pessoas sobre o que é amor, e só tem homem branco dando depoimento. Sério, é um lance absurdo. O orçamento do filme foi bem baixo pelo que andei pesquisando, será que não rolou de inserir uma mulher que fosse com uma linhazinha de diálogo em cena?

Aí eu bolei, então acelerei pra parte em que eles 2001nizam essa festa da linguiça do fim do mundo, e que coisa ruim. Sério, ruim demais. Pior ainda é ler as resenhas do filme dizendo que é sensível, profundo. Meu cu.

1/10 estrelas meu cu.

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