Não cumprir as ‘metas do ano’ não significa “fracassar”

Não cumprir as ‘metas do ano’ não significa “fracassar”

31/12/2015

Olha o último dia do ano aí.

Olha a frustração coletiva por “não ter cumprido praticamente nada da lista de resoluções para o ano novo”.

Gente, vamos brincar de prioridades e não se levar tão a sério?

Para começar: é difícil controlar nossas aspirações. Principalmente em contexto de ‘empolgação de recomeço’ e textos motivacionais. Várias pessoas influentes publicando listas e falando das conquistas. Então antes de sentar e fazer tantos planos, vamos sentar e pensar em realidades. Cada pessoa tem a sua, cada um age de acordo com o que o condicionou a agir de x forma (sua história, seu passado). Cada um com seu tempo, seu espaço, suas condições. Sua maturidade. E muito disso foge da cabeça ao se sentar e planejar.

Maturidade para lidar com as coisas. Porque é bem capaz que tenha coisas como “fazer um mochilão sozinha”, “sair de casa”, “ir para outra cidade”, “tirar carteira” e coisas de proporções que exigem sim maturidade. Não é que a pessoa seja infantil e não possa fazer. Simplesmente não estava pronta. Não era seu tempo. Suas condições não proporcionavam isso, não tem nada de errado. E não é ficar lendo relato de menina que saiu da casa dos pais com 15 anos que vai te tornar uma pessoa preparada para lidar com isso. Famoso “exceção à regra”, ou “alguém que teve tudo que a permitisse fazer tal coisa”. Então antes de sentar e pirar querendo abrir um negócio, por exemplo, pensa se não é melhor deixar uma iniciativa em aberto. Apazigua essa frustração toda. Tanto você pode não estar pronta como a condição do ano que se segue pode impossibilitar ou complicar bastante (e você não irá prevê-lo. Quer dizer, você pode fazer sua revolução solar, magia e o que for. Tudo o que te fizer sentir melhor, mais segura e em controle das suas ações. Mas você entendeu). Não dá pra mexer com certas imprevisibilidades. Elas podem te puxar para outras decisões que podem parecer mais “cabíveis” ou simplesmente te abalar. Não importa. Não se culpe tanto.

Não se culpe tanto.

Não se culpe tanto.

Não se culpe tanto.

Não se culpe tanto nem se cobre tanto. Mas também não se cobre de menos. Procure motivações. Um jeito de fazer coisas que te deixe confortável. Esse post talvez te acrescente algo sobre mudança de rotina, de hábitos, fazer o que deseja. A categoria de comportamento em geral e até a de listas pode de dar umas ideias.

Por exemplo: listas me motivam. Escrever me motiva. Escrevi bastante esse ano. E fiz várias listas também. Inclusive essa lista com coisas que me dão vontade de fazer coisas, hahahaha.

Eu de dez/2014 era TÃO diferente do eu de agora. E estou tão feliz por isso! Consegui cumprir algumas coisas da lista do ano passado: entrei na faculdade, fiz ótimos amigos, arrumei uma câmera, fui no show do Foo Fighters, aprendi a desenhar no photoshop (na minha cabeça, não ia além — mas eu fui). E fui além dos ‘planos’ sim, extrapolei minhas vontades com frequência. Atualize sua lista com novas vontades, rebaixe as prioridades do que acha que deve ser rebaixado. Sua lista não deve ser estática porque você não é estática. Você muda, aprende, cresce, evolui, tem novas ideias, prioridades e isso é ótimo. Deixe que sua lista acompanhe isso. Se permita. Atualize, crie novas. 1/01 não precisa ser ‘um marco padrão’ para novos começos).

Percebi que minha rotina não me permitiria fazer tudo o que desejava. Um curso de moda, um curta? Descobri coisas que não são minha praia também. Fazer acessórios, ir na pré estreia da F21 em BH (BAUHAHAUHAUHAUHAUAH). Queria fazer rinoplastia com urgência. Passei a usar óculos e a prioridade caiu. Não estava nos meus planos. Mas felizmente aconteceu.

Não tive vontade de fazer várias coisas. Mudei de ideia, só. E considerei tudo isso para tentar fazer uma lista mais breve, mais flexível e mais ‘inteligente’, pensada, para o ano que vem. Dá para aprender muito com os excessos e as impulsividades de uma lista dessas.

Não se ache um fracasso por não ter aberto uma loja. Por não ter vendido doce na escola. Por não ter saído todo fim de semana. Por não ter ~dominado aquarela~. O que for. Se você se esforça, o que quiser vai rolar. Não vai ser fácil, não vai ser rápido e você vai querer largar aquilo e tentar uma rotina mais cômoda mesmo. Desistir sempre é mais fácil, mas não ceda. Caminhe devagar, mais não ceda. Pode ser que suas metas de 2016 se concretizem em 2019 porque seu tempo é esse. E aí? Vai reclamar no PROCON, no fabricante (com sua mãe) porque conhece alguém que conhece alguém que conseguiu isso 5x mais rápido que você? Dá um bombom de congratulações pro conhecido do seu conhecido, se essa suposta agilidade é tão importante.

(Dedico essa jogada a uma ridícula que trabalha numa autoescola que disse que “tirou carteira em 4 meses e quem não consegue, é incompetente, lerdo”.)

Vejam conquistas não planejadas e coisas que te alegraram sem que você pudesse medir. Eu voltei logo no comecinho do ano à minha vibe astrológica de sempre. Aprendi a usar vários programas. Arrumei umas roupinhas mais interessantes. Saí. Nada cronometrado, forçado, empurrado com a barriga. Enxergue suas conquistas.

(Podem me chamar de hipócrita, mas eu escrevo tanto para os outros quanto para mim. Por mais que eu erre 94538590543 coisas e fale sobre erros que continuo cometendo. A melhor forma de organizar e evoluir, para >mim<, é escrevendo. E listas. Talvez algumas sirvam para você, olha aqui; )


Originally published at bossaebrisa.com on December 31, 2015.

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