De sábio à louco

A melancolia toma conta de todo o ser, os cigarros passam a ser os mais ansiados, até mais que companhias humanas, o cigarro passa ser o único remédio para tanto tormento mental. Não, não mereço estar com ninguém nesse momento, ninguém merece alguém assim como companhia, ninguém merece alguém que desaguou em melancolia, ninguém merece. É ininterrupto, é incansável, é atormentador, é agitado, é um mar incessante, um mar conturbado e incontido. Meu coração parece sentir toda a dor do mundo, todos os buracos dos meus poros abertos, recebendo cada sujeira do ambiente, cada sentimento, cada estímulo, eles estão sem proteção, eles estão à mercê. Escutam-se entre becos e ruas “estimulem-se, estimulem-se”, mas ninguém sabe a dor que tem em carregar tantas agulhadas, em teorias se faz o interacionismo, onde diz que somos misturas da genética com as influencias ambientais, mas que lamentável e devastadora influência, não é mesmo? De teorias se fazem grandes pensadores, de teorias e trabalhos enlouquecem os grandes sábios, de grandes invenções se perdem os gênios, de grande busca se perdem os pobres aprendizes dessa vida, assim como nós, nus, feitos nos. Existem frases, poemas, quadros, fotografias, tantos e tantos, que me tocam, que me inspiram, me mexem com minha estrutura, mas sabe onde prefiro colocar meu pobre cérebro desfalecido? No meu macio, fino, leve, leve demais pra um cérebro que tanto pesa, no meu desgastado travesseiro, no meu molhado travesseiro de lágrimas e filosofias de boteco, de introversões, de ressacas, de deságuas, de um ser sonâmbulo que se alivia durante as noites, de alguém que dorme com o infeliz celular na mão esperando que as palavras soltem pelo ar e sejam enviadas até o responsável por tanta insonia, à espera, à espera. Dói, doloroso, coração, mente, alma, não se sabe no que crê, não se sabe no que sente, não se sabe em exato sobre nada, não se sabe, e continua a busca pelo saber. Fechar os olhos e relembrar, humanos, seres desumanos, seres desconexos, seres que abrem os caminhos e ao mesmo tempo enterra com meros espinhos, são frutos da solúvel era, da solúvel geração, da solúvel existência humana, desesperada, alienada, entediada. No ônibus grita o desejo de ouvir uma música, ler um livro, enviar palavras ao ar para a pessoa amada, sente e sente, à espera, à espera. O antidepressivo encontra-se a mesa, servidos? Solúveis! Descama-se demasiadamente, escorre pelos olhos partes de um rio que encontrava-se dentro, até ser descoberto, desvendado, e enterrado a força, de tanto transbordar, secou, secou. Os rios da existência correm, às vezes sem muita fluidez, passam por sequidão, passam por,passam por inundações, deságuam, deságuam, por diversas vezes, e a história se repete, sempre… somos o eterno desaguar, a angústia é uma linha tênue, que estará sempre a porta. E você tem a opção de não abrir?

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