A paixão é o fogo no cu,

Só que no coração.

Descobri com uma história.

Você está parada na porta da balada. Fim de noite, alcoolizada e sem vontade alguma de ir embora. Já passam das 4h30 da manhã e você mora em outra cidade. Devia comer. Devia se hidratar. Devia vestir uma blusa de frio. O dinheiro acabou. A sede não existe. O casaco não combinava com o restante do look de Halloween.

Antes, no sábado, 30, você não tinha muita noção do que aconteceria na madrugada do rolê e muito menos da fantasia que poderia usar. Achou que chapeuzinho vermelho do mal seria algo inovador e assim foi. Na porta da boate, havia uma multidão de gente medonha e criativa. Multidão mesmo, a ponto de você não conseguir entrar na festa e ir, frustrada, para outra boate fantasiada só para poder não perder a noite.

Saindo de lá, 31 de outubro, volta para a frente da boate inicial. Estava jorrando da porta um punhado de zumbis, bruxas, Samaras, vampiros, noivas cadáveres, Jasons e por aí vai. O fogo no cu te deixou largada no chão, tremendo de frio e com uma baita fome do cão. Tudo isso, porque você queria curtir cada segundo daquela noite que parecia não ter sentido se acabasse naquele momento.

Permaneceu sentada no meio fio encontrando pessoas aleatórias do seu meio social e, finalmente, o cara que não tinha fantasia nenhuma, mas que estava vestido de paixão. O fogo no cu, o tempo inteiro, era só no coração, para poder encontra-lo e fechar, com chama e coro, a noite que daria sequência às cores sequentes da sua vida.

Foi um beijo inicial e outros que se pediam. Um casaco emprestado sem se importar com o look. Mãos entrelaçadas sem vergonha na cara. Saudade apertada que se estende até ao virarem às costas.

Assim que se (re)encontraram: entregue às bebidas. Com vontade do outro acumulada e ansiedade para que se tornasse amor.

E se tornou.

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