Velho-Moço

Lá vai o Velho-Moço saindo do supermercado. Na mão direita segura a latinha bem gelada de sempre. Na outra, a sacola reutilizável onde se escondem mais algumas latinhas e uma pasta de dentes. O ritual de todo domingo exige chapéu, camiseta, bermuda e tênis, tudo branco cor-de-nuvem. Ah, e óculos de sol também, religiosamente. O andar é lento, porém firme, como de todo velho-moço que se preze. Na carteira, entre o cartão do supermercado e três notas de vinte, está a foto de Aurora, sua única paixão. Mas agora Aurora é somente a lembrança dos dias em que do apelido se tirava o Velho e as roupas ainda tinham um colorido a mais. 
É sabido ser sozinho na maior parte do tempo, mas por outro lado, algumas mulheres sempre vêm e vão do quartinho que ele chama de lar. 
Aproveita bem o dia, Velho-Moço, é o conselho que eu deixo. Amanhã tem louça pra lavar, casa pra varrer, plantas pra regar e mato pra capinar. É sim, os vizinhos que veem a latinha de cerveja na mão sabem que o descanso é merecido. Afinal, a velhice chega, mas pra quem vive sozinho, sempre existe alguma coisa pra fazer dentro de casa.

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