Menos contatinhos, mais gente de verdade

Tem muita gente por aí apenas existindo. E não no sentido bom da palavra.

Às vezes as pessoas estão realmente num lugar ruim na vida delas. A energia está baixa, as vibrações estão pesadas, mas elas nem sabem.

Só continuam indo, fazendo e sendo, sem estarem felizes, porque falta algo.

É bem comum preencher esse vazio com uma agenda cheia de nomes para inflar o ego, relações rasas que estão lá de backup para aqueles dias de carência.

E não estou dizendo que é ruim ter gente pra amar de vez em quando, o ruim é ter as pessoas como muletas pra algo que falta lá dentro.

Eu percebi que é bem solitário viver em constante negação, evitar a todo custo alguém que signifique alguma coisa depois de se apegar e quebrar a cara alguma vez na vida.

E é aí que a gente começa a ser um zumbi na nossa própria vida, e na dos outros. E acumular faces sem nomes, e começar a chamar gente de contatinho.

Acontece que a gente quer a todo o custo evitar a dor. É da natureza humana. Nosso instinto é baseado em fugir de qualquer sensação ruim e ir em direção ao prazer do jeito mais rápido possível.

Nossas experiências passadas criam isso, todos esses sentimentos e emoções de proteção que nos limitam. As situações mais pesadas que vivemos fazem parte de nossa construção; a traição, a indiferença, a rejeição, elas machucam.

Só que já dizia o budismo, o sofrimento é intrínseco à essência humana. E é meio que um ciclo vicioso, porque não adianta: fugir do sofrimento só leva a mais do mesmo.

Ignorar e evitar esse estado só cria mais raiva, rancor, culpa, vergonha, indiferença. E como isso pesa.

Esses sentimentos nos levam pra baixo ao pesar em cima do ombro, nos deixam noites e noites sem dormir quando grudam na nossa mente. E eles se manifestam como máscaras…

…que nada mais são do que mecanismos que usamos para nos proteger e evitar nos machucar de novo. Enchemos nossas camas (e nossos corações) com borrões e não com pessoas.

E então você continua à deriva, tentando, empurrando com a barriga certas coisas que nem condizem com quem você é e com o que você quer, por mais que você acredite momentaneamente que sim.

Afinal, cria uma vida que parece ser bem boa, mas que é superficial e te afasta do que poderia, finalmente, fazer sentido para você.

O resultado disso tudo? A construção de paredes que ao invés de te protegerem do "perigo" imposto pelas pessoas reais, pelos relacionamentos reais, te isolam de você mesmo.

Porque quando você se isenta de novas emoções, você está vivendo como seu "eu passado". E essa pessoa é alguém sobre a qual você tem absolutamente zero poder. Ao viver como ela, você acaba vivendo um loop eterno de tumulto emocional, esquecendo de si mesmo, seu "eu presente".

E é por isso que muitas vezes nós não encontramos paz. Por essas que o amor parece algo irreal. E então a felicidade só parece acontecer quando não temos algo profundo.

Porém, deveria ser justamente o contrário, percebe?

A gente deveria se abrir mais, tentar mais. Combater a carência e meditar sobre as nossas atitudes antes de fechar os olhos a algo que poderia ser incrível.

Deixar de fechar os olhos porque não é "o momento", e abrir a mente (e o coração) para todos os fucking disappointments que ainda estão por vir. Porque talvez venha algo que te surpreenda.

Eu sei que é difícil, mas sei também que não é uma infindável lista de pessoas que nem tiveram a chance de ser algo mais que vai ajudar.

Eu já ouvi várias e várias vezes, de pessoas e de jeitos diferentes, que eu sou muito ingênua, boa demais, inocente, meiga, doce, e o caralho a quatro. Algumas vezes como elogio, outras como crítica.

Mas a verdade é que quando eu decidi parar de viver no passado e aceitar sentimentos novos, eu decidi me arriscar de novo. Acreditar de novo. Me doar de novo. Quebrar a cara de novo. Me permitir escolher as pessoas erradas, vez ou outra acertar de primeira.

Não é ser puritana, não é ignorar os meus desejos, bem longe disso. Mas também não é acumular vasilhas vazias e viver de ilusões.

É me aceitar como eu sou, e procurar conhecer pessoas reais, com sentimentos reais e histórias reais para compartilhar.

É demonstrar minha intensidade e não me reprimir. É jogar com o destino, flertar com o incerto e amar nem que seja brevemente.

E se isso for ser ingênua, tudo bem. Porque eu escolhi ser verdadeira à minha essência mesmo que isso signifique ser devorada pelo mundo.