A Indústria Cultural e a comunicação

Adorno e Horkheimer, estudiosos da Escola de Frankfurt e de inclinação marxista, referem-se aos meios de comunicação de massa como uma forma de alienação do proletariado no capítulo sobre indústria cultural de sua obra mais conhecida, a Dialética do Esclarecimento. De acordo com o que defendiam, a burguesia, detentora do monopólio midiático, utilizaria as mídias “de massa” para controlar a massa de acordo com seus ideais e suas necessidades. O processo comunicacional em questão seria usado para manipular as classes mais baixas da sociedade, que em tese não teriam posicionamento crítico em relação às informações que recebiam pelas mídias e acabariam reproduzindo o mesmo discurso padronizado que só serviria para manter o status quo social. De acordo com os próprios autores, “o terreno no qual a técnica conquista seu poder sobre a sociedade é o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a sociedade. A racionalidade técnica hoje é a racionalidade da própria dominação.”
Dessa forma, elementos culturais que antes eram vistos como arte e que deveriam impulsionar um pensamento crítico a respeito da sociedade passam a ser vistos apenas como um negócio — uma indústria cultural, de fato. Como afirmou Rodrigo Duarte, em seu comentário sobre a Dialética do Esclarecimento, “a indústria cultural é, antes de tudo, um negócio que tem seu sucesso condicionado a empréstimos e fusões da cultura, da arte e da distração, subordinando-se totalmente às já mencionadas finalidades de lucro e de obtenção de conformidade ao status quo.” Essa indústria produziria bens de cultura populares como se fossem mercadorias e estratégia de controle social das massas. Os dois teóricos frankfurtianos justificam isso ao afirmar que “o espectador não deve ter necessidade de nenhum pensamento próprio, o produto prescreve toda reação”.
Embora pesquisas posteriores tenham demonstrado que os receptores não são tão passivos assim (e, embora alguns realmente não tenham posicionamento crítico, o mesmo não pode ser dito sobre todos os outros receptores), a teoria feita por Adorno e Horkheimer faz muito sentido, principalmente numa sociedade onde a desigualdade entre as classes é grande e o controle da mídia está nas mãos da classe mais alta, que tem acesso a outras formas de cultura mais “elitizadas”, enquanto as classes mais baixas só têm acesso ao que lhes é oferecido pela indústria cultural e acabam perpetuando os mesmos valores. Apesar de não ser manipulado, o receptor é altamente influenciado pela mídia em geral.
O modelo proposto pelos estudiosos da Escola de Frankfurt pode se assemelhar à Teoria Hipodérmica, uma vez que a segunda acreditava que o receptor era completamente passivo às informações que recebia e não tinha capacidade de ter um posicionamento crítico em relação ao que lhe era fornecido. A Teoria Crítica formulada pela Escola de Frankfurt também pode ser relacionada com a Teoria Funcionalista, uma vez que a segunda estuda o papel da mídia na sociedade e a primeira acredita que o papel da mídia é a alienação das classes mais baixas pelas classes mais altas. As três teorias, entretanto, são consideradas ultrapassadas nos dias de hoje, mas são extremamente importantes para o estudo dos efeitos da comunicação na sociedade.
O conceito de Indústria Cultural nos fornece uma crítica importante em relação à sociedade capitalista — de que tudo se torna um produto e é comercializado. Essa visão dita marxista é de extrema importância não apenas ao analisar a influência dos meios de comunicação sobre as massas, mas também o contexto social em que vivemos.
