Mulheres violentadas

A violência contra a mulher, na sociedade brasileira, é fruto de um sistema patriarcal, machista e opressor, que objetifica a mulher. Com a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, a violência doméstica passou a ser punida e os agressores condenados — entretanto, segundo o Conselho Nacional de Justiça, apenas 33,4% dos processos envolvendo a lei foram julgados.
Apesar das dificuldades, o movimento feminista, no Brasil, vem crescendo constantemente — cada vez mais jovens se dizem “filhas de Beauvoir” (filósofa francesa que impulsionou o movimento no século XX) e se manifestam, principalmente nas redes sociais, contra o sistema que as oprime. Após a popularização da lei Maria da Penha, muitas mulheres conseguiram a coragem e o apoio para denunciarem ocorrências de violência doméstica, sexual, psicológica ou moral.
Infelizmente, a violência contra a mulher persiste, uma vez que o machismo é propagado livremente na TV, em propagandas, novelas e filmes que colocam a mulher em um papel de submissão, e nas escolas, onde professores fazem piadas sobre a situação atual da mulher e influenciam seus alunos, pois são formadores de opinião. Outro problema é a Delegacia da Mulher, pois muitas vezes os profissionais que deveriam ajudar as vítimas não estão preparados para o ofício e acabam agravando o problema.
De acordo com uma recente pesquisa do IPEA, grande parte da população acredita que a mulher mereça ser estuprada se estiver usando roupas curtas, o que reforça a necessidade de uma mudança no país. O Brasil, como sétima potência mundial, não pode permitir que 92 mil brasileiras sejam assassinadas a cada 30 anos (como ocorreu entre 1980 e 2010, de acordo com o Mapa da Violência de 2012). ONGs como a “SOS Corpo” e páginas como “Empodere duas mulheres” e “Feminismo sem demagogia” vêm fazendo sua parte na luta em prol do empoderamento feminino e da igualdade de gênero, mas políticas públicas são essenciais para que haja uma mudança social significativa. O Ministério da Educação deve promover a discussão das questões de gênero nas escolas e o Judiciário, em parceria com o Ministério de Segurança, deve garantir uma maior eficácia no julgamento dos processos de violência doméstica. O Governo brasileiro pode se espelhar no projeto norte-americano contra o estupro “1 is 2 many” (“um é muito”, em português) para tentar erradicar a ocorrência de abuso sexual no país. Caso haja apoio governamental, o Brasil pode, pouco a pouco, tornar-se um país livre do machismo que foi enraizado em nossa cultura e extinguir a violência contra as mulheres brasileiras.
Dissertação argumentativa escrita para o ENEM 2015 (nota 980)
