Naquela noite.

Naquela noite você deitou em meu corpo gelado. Entre meus dedos, sentia a cócega causada por percorrer seu cabelo. A playlist era clichê, alguns MPBs, e de quebra a fumaça de um cigarro barato.

Naquela noite, eu perguntei sobre o que você estava pensando. Sua resposta, apesar de um pouco demorada, foi simples e calma, você disse que não estava pensando em nada. Passados mais alguns segundos, segundos que pareceram eternos, você me perguntou. Me questionou sobre o que eu estava pensando. Vou te contar sobre o que eu realmente estava pensando.

Pensei nas musicas que eu sussurrava e você me acompanhava, pensei na possibilidade de “eu e você” virar um “nós”. Pensei naquele abraço apertado na tarde de outono, e também nas gargalhadas que soltamos para os pássaros se deliciarem. Pensei na gratidão ao universo por você ter aparecido na minha vida. Pensei e percebi que estava sorrindo ao fim da sua pergunta. Novamente alguns segundos antes de eu responder, segundos que pareceram eternos.

Sai das nuvens e coloquei os pés no chão, pensei com meus botões antes de responder, dessa vez o coração não tem voz, e é com a razão que irei jogar. A vontade era de dizer que eu estava pensando em você, mas preferi dizer que estava pensando em várias coisas.

Me pego curiosa para saber o que você pensava. No que você pensava nos segundos demorados, que pareciam eternidades? No que você pensava antes de responder “nada”.

Afinal, um nada, pode significar tudo, assim como um tudo, significou nada.

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