A sexualidade, sócio-historicamente, tem uma dimensão profundamente afetiva. Principalmente para mulheres.

Dentro da heternormatividade, fomos ensinadas a olhar homens enquanto seres humanos e nos relacionar com essa humanidade. Homens, por muito tempo foram e ainda são ensinados a nos olhar como objetos. Dessa forma, para homens, é muito mais fácil encarar o sexo e o amor de formas distintas e tirar a afetividade dessa conta.

Vivemos numa onda de suposta liberdade sexual que quer apartar completamente uma coisa. Sintoma disso é a categoria “demissexual” na qual alguém que só sente vontade de transar com quem tem vínculo afetivo precisa de uma nomeclatura a parte, como se fosse radicalmente normal do que se espera.

Sexo e amor são coisas distintas, de fato. Mas culpabilizar pessoas por não separá-las não é apenas desrespeitar diferenças psicológicas como também negligenciar essa dimensão histórica, reproduzindo misoginia por zombar de uma forma tida como “feminina” para lidar com o corpo.

Além disso, pensando numa dimensão muito prática, é realmente tão estranho uma mulher ter cuidado com quem quer fazer sexo? Construir um minimo de confiança para expor nossos corpos a uma classe que, em sua maioria, nos reduz a ele e se baseia num padrão inalcançável, é tão absurdo assim?

O meu ponto é: liberdade sexual é respeitar a forma com que lidamos com nosso sexo. Isso implica em se sentir livre para falar “sim”, mas também em sentir tamanha liberdade também para falar o dobro de “nãos” e ser respeitada.

Está tudo bem transar no primeiro encontro com um desconhecido se você está confortável pra isso.
Assim como está tudo bem não querer transar com alguém que, apesar de ser gentil, bonito e inteligente, não te inspira confiança ou afeto.

Respeite o seu sexo. Seu desejo conta tanto quanto o seu não desejo.

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