A vida é fluida como água
esvaindo-se pelos dedos das mãos
e que pela consciência de tê-la,
enrijecemos o punho,
e ela se esvai
lépida e desnorteada.
A vida é para ser vivida e não para ser examinada.
Teorizar sobre a existência é olhá-la
como sujeito-observador ao objeto
e fazê-la não modificada no tempo e no espaço
— insensibilizar a vitalidade da vida.
É por isso que a felicidade está no espírito obediente
que aceita ou nega sem um porquê
Que não divaga na tentativa de encontrar explicação para tudo.
Ei-la ai para amar!
Numa entrega obstinada.
Ai daqueles que aventuram-se no caminho dos porquês
que o nega o sentir pelo medo do talvez
Do finalismo que obscurece
Da sistematização que fragmenta
Das mãos rudes que podendo abarcar espalma o pouco que tem!
