Desculpe, mas você é uma pessoa medíocre

Eu sei, a palavra é feia e causa um sentimento imediato de fracasso. Mas calma, vou explicar o meu ponto de vista.
Segundo o dicionário, medíocre significa “de qualidade média, comum; mediano, meão, modesto, pequeno.” ou ainda “sem expressão ou originalidade; mediano, pobre, banal, passável.” Logo, apesar de muito usada no sentido pejorativo, a palavra medíocre é um adjetivo que pode ser trocado por mediano ou abaixo da média.
Sendo assim todo mundo é medíocre porque todo mundo é mediano (ou abaixo da média) em alguma coisa.
A mediocridade não é uma condição ou uma característica, é uma qualificação entre dois termos de comparação que então irá mudar a percepção de quem compara.
Eu canto melhor que a maioria das pessoas do meu ciclo social, muitos amigos se referem a mim como “cantora”. Ou seja, no meu ciclo de amigos eu sou uma exímia artista vocal, mas se mudarmos o termo de comparação para a Christina Aguilera, por exemplo, eu me torno medíocre (quase patética).
O João é o melhor atacante do time de várzea de uma cidade pequena chamada X. Em X todos (re)conhecem o João como um fenômeno. Mas se passarmos a comparar o João com o Lionel Messi, ele não só perderá o seu posto de melhor como cairá para a mediocridade.
Mudando o formato de comparação há ainda uma outra possibilidade: De você realmente ser ruim ou simplesmente não saber fazer alguma coisa; como é o caso da maioria dos meus amigos cantando; desculpem amigos.
“ Mas gente, essa menina é meio doida, né? Ela quer fazer um artigo para que as pessoas se sintam medíocres.”
Não.
Eu quero justamente o contrário aqui.
Eu quero que vocês compreendam que vivemos em um mundo de extrema cobrança. Por todos os lados. Em todos os âmbitos da nossa vida. E não bastasse a cobrança externa também existe a auto-cobrança.
Quem aí tá ficando doidão da cabeça com tanta coisa que precisamos FAZER, TER, SER, CONHECER, APRENDER e, acima de tudo, nos DESTACAR? Pois é, eu sei. Inclusive escrevi sobre isso aqui.
Vou apresentar alguns fatos para dar continuidade ao meu raciocínio:
1- Você é bom em alguma coisa.
2- Você é péssimo em muitas coisas.
3- Você é mediano na maioria das coisas.
4- Você PODE ser extraordinário em uma ou mais coisas.
Ninguém nasce extraordinário em nada. Ser incrível em alguma coisa é uma construção. Você não consegue (e nem deveria tentar) ser incrível em tudo. Se todo mundo for incrível então todos serão medianos. Se todo mundo for mediano logo ninguém será incrível. (Quem assistiu Orphan Black vai se lembrar daquele teste de lógica dos Castor.)
Eu tive esse insight em conversa com uma amiga. Ela é uma artista. Uma excelente artista. Mas não acredita no próprio trabalho e por isso se considera medíocre (em tom pejorativo). Esse sentimento é mais comum do que a gente imagina. Muitas pessoas desperdiçam talentos e habilidades por falta de confiança ou por excesso de comparação. O que eu aprendi com esse sentimento é que:
VOCÊ SÓ PODERÁ SUPERAR ALGUÉM DEPOIS DE SUPERAR A SI MESMO.
A lógica é muito simples: Enquanto você prestar mais atenção no outro menos tempo se dedicará a você mesmo.
Eis algumas dicas para mudar o seu mindset:
1- Se conheça
Se você não se conhecer dificultará o processo de reconhecer os seus talentos. Análise, terapia e/ou coaching são ferramentas necessárias no processo de desenvolvimento de qualquer pessoa.
2- Não se compare
Você é a única pessoa que vive(u) a sua vida. Só você sente o que você sente. Só você pensa o que você pensa. Só você é você. Muito do que nós somos (e iremos nos tornar) tem a ver com a carga histórica que carregamos. Por isso a única métrica aqui é a sua evolução.
3- Seja responsável pelas as suas habilidades, talentos e dons
Não ignore toda vez que alguém disser que você é bom em alguma coisa. Ao invés disso, investigue. As habilidades que são reconhecidas por terceiros, na maioria das vezes, são aquelas que mais se destacam em nós e as que podem contribuir positivamente para determinado ciclo social.
4- Aprimore-se
É muito mais fácil transformar uma habilidade em paixão que uma paixão em habilidade. Desde a 4ª série eu fui bombardeada com a informação de que eu escrevia bem. Uma habilidade reconhecida por terceiros que eu não ignorei. Passei a prestar atenção nisso e quanto mais eu escrevia mais eu gostava de escrever e mais eu aprendia. Toda vez que eu leio alguma coisa que eu escrevi lá em 2012 (que nem tá tão no passado assim) eu não reconheço a minha própria narrativa. Isso porque a gente muda e evolui sem perceber, praticando. Além disso li muitos livros a respeito e busquei por cursos que tinham a ver com essa habilidade, como o de Storytelling, do Bruno Scartozzoni, um nato contador de história e especialista na área.
5- Desafie-se
Agora que você se conheceu melhor, descobriu suas habilidades, reconheceu seus talentos e investiu neles, chegou a hora de trilhar o caminho do extraordinário. Para fazer isso é muito simples: SAIA DA SUA ZONA DE CONFORTO. Como? Se desafiando. O meu desafio, por exemplo, é escrever sobre assuntos que eu não tenho tanto conhecimento. Isso faz com que eu expanda minha visão de mundo e esteja sempre pesquisando e aprendendo. Além disso eu estipulei uma meta de no mínimo 2 textos por mês, de qualquer cunho e assunto, para manter a velocidade de raciocínio e o envolvimento com os acontecimentos em dia.
O melhor de se viver em sociedade é justamente o fato de ninguém ser igual. Muitas pessoas escrevem. Mas só eu escrevo como eu. Muitas pessoas podem fazer o que você faz, mas só você faz como você. Esse é o charme. Esse é o diferencial. Seja sempre o melhor que você pode ser.