7 COISAS QUE APRENDI NO FLOWMAKERS

Flow o quê?flowmakers.com.br

Tudo começou quando eu resolvi levar uma valtellinesa para a tal da imersão do flow: 4 dias em uma fazenda com uns 30 brasileiros entusiastas de baile de favela, ansiosos para o carnaval.

1. “SEJA LÁ QUAL FOR O MONSTRO QUE VOCÊ ESTÁ CARREGANDO, TIRE ELE DAS SUAS COSTAS!” — exclamou o mago àquela criatura de hábitos suíços, assustada com toda a confusão brasileira que estava acontecendo ali.

O mago era um cara barbudo, magrelo, alto e moreno, com um jeito diferente. Ele parecia misterioso, e intitulava-se “O Universo”, mas eu gosto mais de vê-lo como um menino em constante busca de carinho.

Na verdade, o que ele estava querendo dizer era que ela deveria parar de se preocupar com o horário em que deveria acordar no dia seguinte e com as tarefas que haviam sido designadas a ela na cozinha — porque nenhuma tarefa havia sido definida. No Brasil é diferente. “A gente decide amanhã… Relaxa… Vamos tocar um violão agora”, mas a criatura de olhinhos assustados não conseguia, ainda, entender esta nova forma de planejamento.

O mais interessante disso tudo é que — depois eu percebi, e tomei esta metáfora pra mim — eu não só posso tirar o monstro das minhas costas/ombro/pescoço, mas posso colocar ele ali, bem na minha frente, e olhar pra ele, olho no olho. Dizem que algumas pessoas conseguem até dançar com seus monstros, e, às vezes, eles se apresentam como dragões (olha: dragondreaming.org) ou sombras. Mas não precisa ter medo não. Basta ter a coragem de tirar ele dali e falar com ele: “Peraí, o que tá acontecendo monstrinho? Quem é você e o que faz nas minhas costas?”

Sabe?

Afinal, porque eu me incomodo tanto com aquilo? O que meus incômodos dizem sobre mim? O que aquela pessoa que me irrita profundamente tem a dizer sobre mim? Huuuuuuum?

No fim das contas a italianinha abrasileirou-se levemente, aprendeu uns palavrões, dançou muito forró de olho fechado e se encantou com esta história de não ser um absurdo alguém atrasar 30 minutos pra um encontro.

(…)

No fim daquela viagem, estávamos discutindo sobre o que significa “flow” e “maker”. Eu e outra pessoa começamos a debater, e levantar a voz, defendendo nossos pontos de vista, e então, o bruxo disse:

2. “GENTE, VAMOS PRESTAR ATENÇÃO NA FORMA COMO ESTAMOS NOS COMUNICANDO”

Nossa. Aquilo mudou uma chavinha no meu cérebro e desde então eu fiquei viciada em prestar atenção em como eu e as pessoas ao meu redor estão se comunicando. Foi assustador: eu percebi o quanto as pessoas se interrompem constantemente, não conseguem ouvir nem ser ouvidas. Apenas isso. Vamos prestar atenção nisso, gente.

Alguns meses se passaram, e as nossas aventuras aconteciam toda terça e quinta de manhã, em lugares surpresa com temas surpresa. Certo dia…

3. “ESSAS EMPRESA VÃO TUDO FALIR” — afirmou o bruxo, em tom de profecia.

“Empresa grande não entende nada.”

Sei lá, eu nunca trabalhei em “empresa grande”, mas cada vez mais eu vejo gente falando sobre isso (olha: vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/a-geracao-que-encontrou-o-sucesso-no-pedido-de-demissao/). Parece que as pessoas não estão muito felizes com o mundo corporativo. E elas desistem.

Em algum momento da história da humanidade alguém decidiu que todos deveriam trabalhar 8 horas por dia, e que você deveria aguentar o ar condicionado que te impõem, os horários de pico no busão, e todas as burocracias e coisas sem sentido que vêm no combo.

Eu penso muito sobre isso… Porque estamos nos submetendo a isso tudo? Quem disse que deveria ser desta forma? Porque a humanidade evoluiu pra construir máquinas difíceis de entender e concentrar pessoas em lugares pequenos sem ventilação? Não que isso seja ruim, sei lá, mas do ponto de vista biológico mesmo, porque não evoluímos ao contrário? Por quê? Por quê? Por quê?

Em algumas conversas, o bruxo me fez ver que o que mais falta nestes ambientes de trabalho é o cuidado com as pessoas. E por isso as pessoas desistem. Porque CUIDADO é uma necessidade básica.

É incrível como fomos treinados para não falar sobre sentimentos. Não sei o que houve exatamente durante meu desenvolvimento emocional, mas percebi que tenho muita dificuldade em identificar sentimentos complexos, saber lidar com eles, e principalmente, saber expressá-los de forma objetiva.

Enfim, talvez o cuidado tenha a ver com isso. Cuidado tem a ver com abraços longos, massagens e cafunés, falar dos perrengues, dos sentimentos, dos maiores medos. Falar e abraçar todos os dias. E aí o cuidado constrói-se de forma conjunta. Vem de dentro e multiplica-se.

O bruxo me ensinou um pouco disso e alguns truques de mágica pra eu usar essa história de cuidado em toda sua potência, mas ainda estou aprendendo… Não é sempre que eu estou no mesmo andar que outras pessoas. Na verdade, nunca se sabe, eu sempre me surpreendo!

(…)

E aí, um belo dia, numa casinha com desenhos de baleias na parede…

4. “NO CORAÇÃO, EU VEJO MUITO APEGO” — disse a fada madrinha.

Eu não aprendi só coisas do ““mundo profissional”” neste programa. Não faz sentido. Tudo está integrado. “Minha vida profissional, minha vida pessoal, blá blá blá.” Não é assim. A gente vive e pronto.

Mas não tem segredo: abra beeeeeeeem o coração.

Este órgão — esta bomba feita de músculo estriado que faz meu sangue correr por todas as minhas artérias, arteríolas e capilares, nutrindo todas as minhas formas celulares — é muito doido!

Uma vez, eu parei pra pensar… Desde que eu nasci meu coraçãozinho não parou de bater em nenhum segundo! Ele não descansou. Ele ignorou todas as minhas frescuras e mimimis e continuou batendo, perseverando pela minha existência. Ele insistiu até quando eu senti ódio e raiva da minha mãe e quando eu fui ingrata com meu pai. Ele não pára nunquinha!

E aí? Qual o significado que eu estou dando a todo este esforço? Como eu honro a energia que vêm do meu coração?

É, às vezes o flow tem dessas coisas místicas, coisas que as pessoas tendem a desacreditar no começo. Eu também fui um pouquinho assim. Quando eu vi o vídeo do flow no site, eu não entendi. Mas às vezes não precisa entender. Eu senti, com o coração ❤

A fada madrinha deve saber explicar tudo isso bem melhor do que eu. Ela tem o poder de ver o que você está emanando pro mundo através do coração, do topo da cabeça, da base da coluna e de outros lugares (vimeo.com/148951316).

Mais um tempo se passou. Até que um dia…

5. “CLAREZA”

Esta palavra é linda, e foi dita várias vezes pela duende da clareza.

A duende da clareza é uma criatura toda cheia de pilimpimpim e narizinho arrebitado. Ela chegou como quem não quer nada e jogou na roda, assim, no meio de todo mundo: “traga clareza pra sua vida!” PIMBA! Toma essa.

O que eu tenho a oferecer pro mundo que ninguém mais tem?

Sei lá cara, deve ter algo de bom aí no meio dessa insegurança toda que você faz questão de exibir.

Acorda! Seu projeto é lindo. Sua ideia é INCRÍVEL. Não é auto-ajuda não. É se liga e acorda pra vida, mesmo.

Estas foram frases ditas por outros personagens que eu acabei de criar. Eles vivem por aí no mundo do empreendedorismo social e eles querem saber da minha ideia!!! Eu vou gritaaaar minha ideia!

Basicamente, funciona assim: só porque eu não tenho dinheiro não significa que não tenho recursos. Dinheiro é apenas uma forma de manifestação dos recursos do mundo! Esta é uma ideia poderosa. Quais são os recursos que eu tenho disponíveis e posso movimentar de forma a favorecer todo mundo envolvido na minha rede? Eu estou compartilhando minha ideia com as pessoas certas? Estou ouvindo ideias loucas de pessoas que estão fora do meu restrito círculo de amizades?

Bom, foi mais ou menos isso. A duende da clareza me trouxe a ideia de que eu tenho muito valor, basta EU reconhecer isso em mim mesma antes de esperar que outros o reconheçam por mim. Basta ter a bendita da clareza do que quero oferecer pro mundo. Seja um serviço, um produto, um relacionamento monogâmico de 50 anos ou só sexo mesmo, qualquer coisa…

Então, uns flowtempos depois, num dia muito peculiar…

6. “O QUE VOCÊ FAZ QUANDO PODE FAZER QUALQUER COISA?” — repetia a ninfa da provoc-ação.

Ficamos mudos por 3 horas. Um deles disse “Queria que alguém me explicasse o que está acontecendo aqui porque não estou entendo nada. E to puto!”. Geralmente, ele não dizia muito, mas o silêncio do grupo o incomodou. Na verdade, o silêncio incomodou todo mundo, mas o incômodo entrou dentro da boca dele e saiu pela sala estragando o silêncio.

A ninfa da provoc-ação — tá, esses nome tão chatos já… — não respondeu. Ninguém respondeu. E ficamos em silêncio por mais umas 33 horas. Até que o mago deu um sorriso e perguntou: “como foi a esta experiência?”

Como foi a experiência única de por um momento na vida não ter ninguém definindo o que você deveria fazer, como deveria se comportar, o que deveria pensar? Nem uma música mal escolhida, nem um filme bobo, uma TV barulhenta, uma timeline com vidas escorrendo pelo celular. Nadinha. Nem um instrutor de meditação dizendo que você deveria prestar atenção na sua respiração e esvaziar a mente. Não… pode ficar com a mente bem cheia. Sei lá, faz o que você quiser, não tem ninguém te controlando.

É rapaz… Pega essa responsa de ser o dono da sua vida. Toma esse livre-arbítrio, na sua cara!

Acho que quem não passou por estas 36 horas de silêncio não vai entender este ponto, mas serve como documento para as futuras gerações.

E aí, um dia, alguém me disse…

7. “EMPREENDER NÃO TEM NADA A VER COM ABRIR UMA EMPRESA”

Não lembro quem disse isso ou se foi eu que pensei, mas o elfo musical sempre toca umas músicas nesse estilo… E eu nunca esqueço: uma vez o elfo musical e a ninfa conseguiram ingressos pro show dos novos baianos de graça, tudo isso por terem o cálice do intraempreendedorismo.

Intraempreendedorismo? O que é isso?

Os intraempreendedores são pessoas que aprenderam, ao longo da vida, a mudar ambientes ou inovar em situações na qual estão inseridos sem esperar nenhum incentivo ou demanda externa.

Sabe toda aquela cagada que estão fazendo ali no trabalho/escola/bairro? Os intraempreendedores já pensaram em como resolver isso e talvez ainda estejam pensando em como articular toda a solução de forma harmônica, mas eles sabem que NÃO precisam abrir uma empresa pra fazê-lo.

Hoje eu vejo intraempreendedores por todo lado. Às vezes eles fazem um trabalho invisível e não pedem por reconhecimento. É bonito.

Enfim, como diz o bruxo: “o mundo está mudando de maneira cada vez mais rápida”.

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Olhos nos olhos, e muitas camisetas rasgadas nessa vida!

Amanda e seus monstros.

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