Queria me chamar Pessoa
Ah Pessoa, admiro tanto esse nome. Queria eu me sentir mais como uma pessoa. Recorro muitas vezes aos teus escritos com o intuito de me sentir mais vivo através da dimensão da poesia, dimensão essa que você dominava de maneira inexplicável. Acontece é que tem sido difícil me sentir humano, me sentir dentro de mim. Se esse maldito troço chamado alma existe, acredito que a minha já esteja de forma prematura externa ao meu corpo e que esse corpo na verdade é oco e esse cérebro na verdade é vento. Uma ventania tão descontrolada que talvez nem consiga mais elaborar tão bem os pensamentos, que já nem consiga ter empatia com o próximo. Como é possível existir empatia se nem me acredito ser real, se não levo a sério nem meus próprios sentimentos, se sofro de fantasmas falsos e nem sei mais como os identificar como tais? É, Pessoa, perdi totalmente as rédeas, sinto que essa alma está pendurada por um fio e não tarda que qualquer bobagem a corte fora e a deixe voar livremente.
