Um longo caminho pela frente nessa estrada do Marketing Online brasileiro


Quando chegou a minha hora de escolher o que gostaria de estudar na faculdade não sabia exatamente o que era marketing.

Já aí dá para ver o tamanho despreparo que entramos para formação da fase adulta da vida. Achava que era “tipo assim, algo a ver com tv e propaganda sacou”.

Bem adolescente me vi mergulhada na Era Digital e Internet — fui uma das felizardas que desde cedo teve contato com computadores e aulas de informática no colégio.

Quando ganhei meu primeiro Dell rosa pink de presente de 15 anos, tive a experiência mais intensa e transformadora da minha vida: eu simplesmente não saía do computador. A vida se mostrou enorme, a Internet infinda. Eu poderia ouvir qualquer banda, ler sobre qualquer coisa, baixar qualquer filme. Pesquisei muito sobre reis e rainhas, fiquei fissurada pelo louco que foi Henrique VIII, assisti séries antigas e clássicos de Chaplin até Vertigo. Me inteirei sobre os fenômenos que estavam acontecendo no mundo: hipster e indie.

Me isolei drasticamente dos meus amigos, porém ao mesmo tempo fui ficando cada vez mais próxima de algo que no meu futuro profissional se traduziria como: Marketing Online e Marketing de Conteúdo.

E acho que o resultado disso foi ótimo.

Sites sociais e blogs se tornaram então meu combustível. O boom no Brasil foi lento e de cara o país já entrega que não tinha muita coisa acontecendo pra gente nesse cenário. Mesmo assim, construi meu interesse influenciada por blogs "lá de fora", os quais eu não fazia muita ideia do que estavam falando mas eu achava tudo lindo. Porquê eu estava ocupada com essa janela aberta, eu perdi febres populares como Rebeldes, Malhação, BBB, ForFun… Eu estava absorvida.

Prova disso é que minhas amizades tem zero interesse nas mesmas coisas que eu.

Acelerando os acontecimentos, no meu segundo período da faculdade de Design de Moda, comecei a trabalhar especificamente produzindo conteúdo online para marcas. Fiquei aí anos aprendendo, amadurecendo, por vezes estagnada… 
Pula aí mais alguns anos e atualmente moro em NY.

E aqui a brincadeira é séria.

Os Estados Unidos já estão em outro nível de utilização das mídias, como você bem deve saber. Não só isso, os grandes negócios e startups (principalmente local business) usam a conexão sentimental com o cliente de forma extraordinária. Sigo marcas/empresas que me cultivam diariamente via mídias sociais e que sou fanzoca, sem mesmo nunca ter ido ou comprado seu "produto físico".

Isso é ruim? Talvez outros profissionais da área digam que sim. Já eu, como usuária e consumidora de informação, acredito que cultivar um relacionamento vale esforços além dos número de venda. Lucro tem que ser visado sim, como vou dizer que não? Sabe aquela história "faz yoga mas não dá bom dia para o porteiro"? Por que ser uma marca bacana apenas com os já-clientes, ao invés de ser bacana com todo-o-mundo?


Pela minha enorme dificuldade em escrever em inglês com a mesma confiança que o faço aqui e agora, comecei a pesquisar por ideias que eu poderia incorporar na minha nova fase de vida: estou longe do Brasil, amo cada dia mais o poder do bom conteúdo online, tenho habilidades e experiência. Tenho também minhas paixões e sinto uma necessidade enorme de difundir o estilo de vida em que acredito com todos que passarem por mim nessa vida. Almejo sim atingir um grande número de pessoas.

Juntei tudo isso e a resposta veio gradativamente em forma de diverso de cursos que fiz nos últimos dois meses, inúmeros mailings em que me inscrevi, e mais a média de 6 webinars que assisto por semana. Com tema, claro, dentro do mesmo universo dessa nossa conversa.

Sempre ao acabar a leitura de um email com conteúdo incrível ou termino um aulão online, penso: agora vai, agora vou desenvolver o meu produto online para leitores em português.

Só que aí é onde empaca. Estaria o público brasileiro pronto — mais importante, interessado?

Com um rápido survey em um grupo de Whatsapp perguntei quem lê emails, assina listas, acompanha podcasts e sobre interesse em curtos cursos onlines. Respostas negativas. Informações extras: niguém nesse grupo de 7 pessoas é usuário do Pinterest, Twitter ou leitor do Medium. (Me mata essa dúvida: o problema são meus amigos?! Hahaha.)

Me joguei numa breve e superficial pesquisa. Cadê sites com conteúdo visual cool e de conteúdo rico porém simples, útil mas com a belíssima função de ser um manual de plataformas sociais para aqueles que estão começando agora? Cadê o incentivo? Grupos relevantes no Facebook? Listas de email que não são chatas? Perfis bacanas no Pinterest que tenham um segmento definido?

Cadê os bons produtos onlines? Infoprodutos?

Nosso Inbound é fraco. Seremos para sempre os Huehue BR?

Talvez eu esteja por fora e perdendo um conteúdo brasileiro maravilhoso.

Me interesso fazer parte de uma comunidade que esteja produzindo coisas bacanas e por isso adoraria que você dividisse seus favoritos comigo. Sou do tipo que abre emails, acompanha blog e interage no Twitter.