Síndrome de Atlas e afins.

Belém do Pará, 27 de setembro de 2017

Ano que vem fará 9 anos que vim morar na Região Metropolitana de Belém, ainda olho a cidade bestificado. Seja pelo aniversário da data, seja pelo clima depressivo de final de ano, eu começo a repensar tudo até aqui. Desde as coisas boas que aconteceram, até as coisas ruins (que se sobressaem aos bons acontecimentos).

Alguns anos depois, diante de todos os ocorridos que me trouxeram até aqui eu me recordo o dia em que deixei minha antiga cidade. Hoje, nem meus documentos são os mesmos que eu tinha no período do meu êxodo rural, dos planos e sonhos me sobraram apenas o sentimento de insignificância.

O Arthur que saiu de São Domingos do Capim já não existe mais. A aparência ainda é a mesma, apesar da cara abatida. Há pouco mais de um ano eu estava sendo diagnosticado com depressão (apesar de não conseguir lembrar desde quando eu já não sinto paz comigo), em agosto do ano passado “tranquei” meu curso de jornalismo para ficar recluso, era torturante sair de casa, estar preso em uma sala de aula.

É estranho como algo emocional se manifesta em teu corpo, o peso da existência pesa em tuas costas, e de repente tu sentes uma carga maior que a do titã Atlas, condenado por Zeus a sustentar o mundo para sempre. A depressão só pode ser descrita por metáforas, essa é a que mais se encaixa em meus sentimentos.

O mito de Atlas representa o peso das dificuldades cotidianas que pesam sobre nossos ombros e, embora possamos considerar que sejam pesados demais, o que está sobre Atlas, a primeira vértebra da coluna cervical, é apenas a nossa cabeça, que guarda a nossa mente.

Cada segundo da vida vem me ferindo, a depressão não é diferente de qualquer outro parasita, ela suga sua energia, te sufoca, aperta o peito, mas não quer te matar, por mais que você queira, por mais que você feche os olhos e espere ser consumido totalmente por esse mal, é terrível sentir frustração em estar vivo.

Enfim, é isso. Não tenho um final para esse texto. Obrigado por ler até aqui.

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