A gente

E é assim, de um para um, entre dois, entre três ou mais. A gente se enlaça sem fios, com algumas palavras, mas principalmente com gestos. A gente memoriza os nomes, as preferências, as histórias. A gente se lembra das caras, das caretas e do que o outro não gosta. A gente vai aumentando o número de pessoas em comum para que as chances da gente se distanciar diminua. A gente prende a minha história com a tua e transforma numa só. Não, a gente não se larga, porque — e por mais mil outras coisas além disso — a gente não é simplesmente mais “alguém-legal-com-que-falei-um-dia”, a gente é um pedaço importante da história um do outro, mais que um detalhe, um órgão vital. E isso a gente não nasce, a gente se torna — cada vez mais.

Para todos aqueles com quem eu amei passar o Natal e para todos aqueles com quem eu queria estar.


Natal de 2013.