Do Dia das Mães

Mãe,

Mais uma vez consegui provar que sou um filho imperfeito. Preparei o café e levei até sua cama - sem dizer um bom dia, sem lhe oferecer um sorriso. Horas depois, você perguntou em voz alta: Cadê meu abraço? Dói muito, mãe. Ver a figura mais forte que conheço em uma condição de dependência é algo que nunca imaginei viver. E daria tudo para não viver. Não te reconheço, não me reconheço e tudo dói. Mesmo me esforçando para disfarçar essa dor diariamente e fazendo o possível para te ver cada vez melhor, me sinto impotente. Queria saber lidar com essa situação de outra forma. De uma forma melhor. De qualquer outra forma. Tudo dói. Mas neste dia especial, em que todos os filhos estão demonstrando carinho pela mulher que os botou no mundo, foi você quem me deu uma lição de amor — mais uma vez. Quando voltei para o quarto, me ajoelhei e te abracei forte, a dor parou. Senti uma paz quente nos seus braços, hoje frágeis. A mesma paz que sentia quando, ainda pequeno, deitava no seu colo e recebia um carinho na cabeça. Quando você me disse, com água nos olhos, que está se recuperando pelos seus três filhos e que me ama muito, a maldita dor parou. Sei que ela vai voltar e me incomodar, me fazer pensar que sou um péssimo filho. Um rebento covarde que não sabe retribuir a devoção de sua mãe. Mas hoje quero me segurar na certeza de que, quando estou na sua frente, sou o filho que te dá orgulho, a quem você ama muito. Obrigado por esse amor sem tamanho e de toda hora, mãe. Obrigado por ser meu maior referencial de força diante das pancadas da vida. Te amo muito. Te amo tanto que até dói.

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