No one lives forever

Let's have a party, there's a full moon in the sky, it's the hour of the wolf and I don't wanna die.

Estou na sala com os fones enterrados na orelha ouvindo as previsões de uma borra de café que me diz repetidamente "você precisa escrever para curar essa ansiedade". Dou toda razão para esse conselho vindo diretamente do pó acumulado no fundo de uma xícara velha e aqui estou.

Meu ex bloguxo diz que o último texto escrito foi um trecho de Aquarela — bela canção, aliás — lá em 2014 e veja, nem exigiu esforço. Também não vou exigir esforço aqui. Na verdade não vou exigir nada. Vou escrever sem compromisso. Por que no geral dos dias eu já me exijo demais. Penso demais, problematizo demais, traumatizo demais, exagero demais e decido de menos. Aqui eu não quero nenhuma obrigação de ser incrível ou fazer sentido. Aqui eu só quero me lembrar que eu não quero morrer sem ter valido a pena.

Não fiz resoluções de ano novo. 2015 foi estranho, chato. Estagnado. Apático. Xexelento. Quando o ano passa assim, sem graça, eu sempre penso se teria vivido como eu acho que se deve viver. Morrer com pendência de felicidade me aterroriza. Por isso, em vez de promessas, tô querendo por mais ação em 2016. Querendo viver com incidência mínima de arrependimentos. Menos "e se" e mais "por que não". Lembrando a todo instante que desistir pode ser a nossa melhor opção. E que as diversas ~vibes ~ desse enorme universo orbitam por nós o dia inteiro, e só depende da gente escolher qual delas queremos fazer nossa verdade.

E a verdade é que a vida é a melhor coisa que temos e só temos uma e por isso mesmo a gente tem que passar por ela como um trator: quebrando tudo, vivendo tudo, escolhendo certo e depois errado e depois certo de novo. A gente precisa — ou pelo menos a minha geração precisa. Ou eu preciso — entender que não é o que se tem que faz tudo valer a pena, mas só mesmo o que se sente (desculpa mas não vou pedir desculpa pelo clichê). Que o que vale a pena é aquele momentinho da troca de olhar cúmplice com quem a gente ama quando estamos pelados no banheiro usando apenas uma touca plástica cafona; aquela afirmação silenciosa do "te entendo" vinda de um amigo quando estamos putos; aquele monte de ideias incríveis que temos no chat e que nunca saem dali. É gastar uma hora e meia numa noite chuvosa de quinta-feira escrevendo um texto ruim. Todos esses caquinhos de vida real, sejam eles tristes, alegres, bonitos, feios, não são comprados com nenhum contra-cheque gordo no final do mês. E ter consciência disso é libertador. E essa consciência é tudo que eu quero em 2016.


Who cares? There’s no place safe to hide. Nowhere to run, no time to cry
So celebrate while you still can ’cause any second, it may end
And when it’s all been said and done, better that you had some fun instead of hiding in a shell. Why make your life a living hell?
So have a toast and down the cup and drink to bones that turn to dust ’cause no one, no one, no one, no one lives forever.