me perdoe a falta de métrica

se ao menos eu soubesse 
quando respondi a 
primeira mensagem
quando correspondi ao
primeiro beijo quando
abri as pernas
uma, duas, três
nove vezes
quando sambei a avenida inteira
e deixei que você me visse
de alma despida
pela primeira vez

se ao menos eu soubesse
que logo no segundo encontro
eu seria protagonista
de uma cena de filme
de alguma comédia romântica, pensei
que não perde o gosto da suavidade nos lábios
mesmo com a ironia entre os dentes
acreditando fielmente que
eu também tinha pegado o papel principal
na sua história

se ao menos eu soubesse 
que passaria um final de semana inteiro
descompromissadamente
conversando pelo celular numa
tentativa de encurtar a distância e apaziguar a saudade
enquanto você conhecia outras cidades
e soubesse que eu também passaria outros finais de semana
descompromissadamente
conversando 
enquanto você conhecia outros corpos

se ao menos eu soubesse
de todas as ligações à noite
e que a sua voz seria tão indispensável 
pra uma boa noite de sono
talvez hoje eu não estaria viciada em pílulas pra dormir
substituindo um calmante por outro
pra substituir
o que é insubstituível
nós

se ao menos eu soubesse 
do primeiro eu te amo
correspondido
e de todos que vieram depois
e do frio na barriga 
que eu sentia em todas as vezes
em que seu olhar
esbarrava com o meu

se ao menos eu soubesse
de todas as vezes que você
faria música escorrer pelos meus lábios
enquanto estava entre as minhas pernas
e de todas as vezes
que você tocou o meu pensamento
antes de chegar aos meus quadris

se ao menos eu soubesse
de todas as vezes 
que eu não fui o suficiente 
e você teve que procurar o déficit
em outras mulheres
e como eu desejaria
ser capaz de ser todas elas ao mesmo tempo
meu deus, se você soubesse
todas as vezes que eu me senti pequena
dentro de mim mesma

se ao menos eu soubesse
de todas as vezes que você partiria o meu coração
uma, duas, três
quatro vezes
todas pelo mesmo motivo:
o meu amor não foi o suficiente
pra te fazer desistir do próprio egoísmo 
e se o amor não vence o egoísmo, baby
ele não é amor de verdade
é paixão
é carnal
é carnavalesco
mas não é amor

se ao menos você soubesse
de todas as vezes 
todos os quase quarenta dias
em que eu choro
todas as noites
tentando recapitular
passo a passo
o que eu fiz de errado
eu me pergunto se você se sentiria culpado
se pesaria a sua consciência
se você voltaria correndo
pedindo desculpas
e me deixaria te perdoar
baby, eu perdoo
eu sempre perdoei
e sempre hei de fazê-lo

porque ao menos de uma coisa eu sei
amor não nasce pronto e fácil
e toda construção dói e toda dor é demasiadamente humana
mas eu me sinto irremediavelmente
inconsequentemente
pronta
pra ser a sua amante.

“eu não sei de onde vem isso, mas eu sinto que talvez eu nunca tenha algo com outra pessoa da mesma forma que eu tenho com você”
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