No ambiente de ódio: gentileza

Novos tempos. Tempos de pouca/nenhuma gentileza? Situações do cotidiano passam despercebidas, seja por estarmos ligados no piloto automático, seja porque queremos levar vantagem sobre o outro. Por que não podemos, no ônibus, aliviar o suplício de algum indivíduo, oferecendo-se para carregar a sua mochila ou cedendo o assento para alguém com criança? Ou, no trânsito, ceder passagem?

“Gentileza gera gentileza”, como dizia o velho profeta. Entretanto, estamos cada vez mais impacientes com pequenezas, faltando guardar as palavras e ações para o que realmente importa.

Tento cultivar a gentileza no meu dia a dia, ajudando os colegas de trabalho, procurando “emprestar os ouvidos” (como diz uma conhecida: hoje, emprestar os ouvidos é uma grande gentileza).

Mas admito que, em tempos de polarização e discursos de ódio, é muito difícil manter a calma, conseguir dialogar, ser educado.

Um senhor com quem tenho convívio diário consegue, em algumas ocasiões, me tirar da linha por conta de seus inflamados discursos homofóbicos, militaristas, machistas e racistas. Pode conviver isso tudo em apenas uma pessoa?

Por isso, tem dias que até para pessoas como eu, que exercitam a paciência e a tolerância, fica complicado e, então, sou obrigada a retrucar de forma veemente. Ainda assim, não dou folga à minha educação. Acredito que deva estar sempre presente.

Discordar sim, porém mantendo a postura de respeito ao outro.