Qualidade de vida e longevidade: cuidados para viver mais e melhor

O aumento na expectativa de vida exige mais cuidados para prevenir doenças que tendem a aparecer com o tempo.

Em 25 anos, a média de vida do brasileiro aumentou 6,5 anos e alcançou a expectativa de 76 anos — 72,5 anos para os homens e 79,6 anos para as mulheres, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o Ministério da Saúde, os principais motivos foram a queda nos índices de mortalidade materna e infantil, por doenças infecciosas e crônicas, e a melhoria de fatores socioambientais e de atenção à saúde. Avanços no tratamento de doenças cardiovasculares, por exemplo, fizeram a população brasileira ganhar 2,3 anos.

Assim, o número de idosos cresceu em 4,8 milhões, desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017. Para se ter uma ideia, em 1940, em cada mil pessoas que alcançavam os 65 anos de idade, somente 259 chegavam aos 80 anos ou mais. Já em 2017, em cada mil idosos de 65 anos, 632 têm perspectiva de se tornar octogenários.

Para se beneficiar das estatísticas, porém, é preciso afastar doenças endocrinológicas, dos aparelhos circulatório e respiratório e tumores, entre outros problemas. Como? Adotando hábitos saudáveis, como abandonar o cigarro, maneirar no açúcar, nas gorduras saturadas, no sal e no álcool, praticar atividade física e ir ao médico regularmente.

O que é longevidade saudável?

Significa viver por mais tempo e com qualidade. Para isso, o principal requisito é poupar o organismo de danos cumulativos relacionados a maus hábitos, como tabagismo, alimentação gordurosa, repleta de açúcar e sal, além de sedentarismo. Desta forma, é possível adiar ou prevenir o surgimento de enfermidades associadas à passagem do tempo.

Deve-se pensar numa combinação de diversos fatores, como alimentação natural e balanceada, rica em verduras, legumes, frutas, grãos e carnes magras, exercícios físicos, atividades sociais e saúde mental.

Como alcançar essa condição?

O primeiro passo é cuidar do coração. Como quase todas as doenças cardíacas se tornam mais frequentes conforme a idade vai avançando, recomenda-se controlar a pressão arterial (seja através de uma alimentação com menos sal e/ou do uso de medicamentos), detectar e controlar o diabetes e o excesso de gorduras no sangue, abandonar o tabagismo, praticar atividades físicas (pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana) e manter uma alimentação saudável, com redução de produtos industrializados, açucarados, gordurosos e carboidratos simples, entre eles, bolos e massas brancas.

Esses cuidados também contribuem com a prevenção do câncer, que é outra ameaça preocupante quando a idade avança.

Mas, além dos hábitos saudáveis, é preciso aderir a uma rotina de exames preventivos. Veja quais são os principais, ao longo da vida: https://medium.com/americas-servi%C3%A7os-m%C3%A9dicos/check-up-contra-o-c%C3%A2ncer-aaf7abefd7f4

Manter-se ativo também promove a manutenção da saúde dos ossos, músculos e articulações, afastando doenças como a artrose e a osteoporose.

Por fim, adotar hobbies e atividades de lazer, além de manter um convívio social e familiar harmônico, ajudam a afastar transtornos como a depressão e a ansiedade.

Existe hora certa para cuidar da saúde?

Essas recomendações servem para todos: jovens ou idosos, afinal, cuidar da saúde durante toda a vida é a principal maneira de prevenir doenças.

Mas, a partir dos 40 anos, é interessante buscar acompanhamento médico para avaliar o risco cardíaco pelos próximos 10 anos. Ele deve incluir a realização de exame físico completo, medida de pressão arterial e a testes laboratoriais de avaliação da glicemia e níveis de colesterol. Os exames específicos cardiológicos vão depender de cada caso e da presença de sintomas, como dor no peito, falta de ar, desmaios e palpitações. Após essa avaliação, o médico e o paciente devem discutir juntos um plano sobre sua saúde, que deve incluir ajustes na rotina e tratamento com medicações, se for o caso.

E para quem nunca se cuidou nem praticou exercícios, fumava, bebia…Dá tempo de mudar os hábitos na terceira idade?

Nunca é tarde para começar a se cuidar, principalmente, para parar de fumar. “O tabagismo é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares e tumores. Até nos idosos, comprovou-se que a cessação do tabagismo pode trazer benefícios à saúde. Para isso, hoje em dia, dispomos de medidas comportamentais, assim como de tratamentos com medicações”, ressalta a Dra. Patrícia Guimarães, cardiologista do grupo Americas Serviços Médicos.

O atendimento por equipes multidisciplinares também é fundamental nessa faixa etária. “Com o envelhecimento, é comum que os pacientes apresentem doenças diferentes, em múltiplas partes do organismo, como uma associação entre problema cardíaco, disfunção dos rins e artrose.Por isso, os idosos costumam fazer uso de vários medicamentos. É recomendado que se realize uma avaliação cautelosa dessas medicações para que seus efeitos não sejam anulados ou potencializados por conta da combinação. Ou seja, os profissionais que assistem o paciente têm de se comunicar”, conclui a cardiologista.

Sexualidade

As mudanças que fazem parte do processo de envelhecimento podem influenciar no aspecto sexual da pessoa idosa. Nessa fase, a resposta aos estímulos diminui naturalmente. Nos homens, a produção hormonal passa a apresentar redução após os 40 anos. Nas mulheres, queda ocorre durante a menopausa. Tudo isso pode derrubar a libido, mas, é possível evitar que isso aconteça com orientações de um especialista.

Nos últimos anos, tornou-se muito popular o uso de sildenafil, uma medicação usada para pacientes com disfunção erétil, que age dilatando os vasos. Pacientes portadores de doenças cardíacas ou com fatores de risco (tabagistas, diabéticos e hipertensos) devem sempre consultar um cardiologista antes de começar a usar e realizar os exames necessários para avaliação de doenças, conforme cada caso individual.

O remédio está contraindicado para quem faz uso de nitratos, medicamentos frequentemente prescritos para pacientes com problemas cardíacos. O risco de hipotensão (queda da pressão arterial) se torna muito alto quando as duas medicações são usadas juntas. Também é essencial que o paciente seja alertado em relação aos principais sintomas de hipotensão, para procurar atendimento médico quando for necessário.

Já as mulheres podem contornar alguns incômodos típicos dessa fase, como o ressecamente vaginal e a falta de interesse sexual, com recursos como lubrificantes e psicoterapia, por exemplo.

Em resumo, a receita para viver mais e melhor não é tão complicada. É só passar o mais longe possível dos maus hábitos, que, ao longo do tempo, promovem danos progressivos. E, mesmo que algum problema apareça, ele pode ser contornado, na maioria das vezes, se o diagnóstico for precoce. Check-up em dia, sempre!

Fonte: Dra. Patrícia Guimarães, cardiologista do grupo Americas Serviços Médicos.