benu

Fênix, no Bestiário de Aberdeen

sentimentos queimam entre as camadas da epiderme
as labaredas se movem revelando a verdade.
há aqueles que suavizam a mente e aquecem o coração
mas há os que dilaceram, rasgam e estragam.
há algo pior que o nojo? a descrença?
há algo pior do que criar a propria doença?

somos responsáveis.

andei buscando
um jeito de mudar
a chama que ardia.
equivocado é quem pensa
ser de graça a poesia.
não,
a vida cobra:

“há quem sinta 
as cores cintilantes 
o fulgor no coração.
tolo o que não percebe:
sentirá, assim como o fogo e o ouro
o bronze das brasas
desaparecendo.
perceberá então, o sopro da morte 
espalhando os pequenos 
restos prateados.
e chora.
mas não se culpe,
a chuva leva a sujeira do homem
chova em si.
talvez não compreenda
a grandiosidade deste ciclo
mas não duvide,
a fênix renasce das cinzas.”

grata, meu Deus
por permitir-me amar 
minha poesia.