Fala Andre.
Diego Tonin
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Oi Diego, obrigado pelo seu comentário. Concordo com você. Os bovinos foram transformados pela evolução para transformar celulose, coisa que nós não conseguimos fazer. Também acho que o trato a pasto é o melhor, afinal eles não foram feitos pra comer milho. Citei no texto pois é um sistema utilizado. Vamos pensar sem o confinamento então.

A questão central é o manejo do pasto. Aí você citou algumas boas, como integração lavoura-pecuária e reforma de pastagens. Eu ainda acrescentaria o sistema silvipastoril, que ajuda também no bem-estar animal com a sombra, enquanto sequestra carbono pelas árvores.

Outra opção é aumentar a produtividade, o que pode ser feito utilizando mais fertilizante, como você disse, o que gera maior emissão de gases do efeito estufa, mas tem uma possibilidade aí.

Durante o meu doutorado eu fiz os experimentos e cálculos aumentando a quantidade de fertilizante, o que daria uma maior oferta/qualidade de pasto aos animais por hectare. Assim eles poderiam comer um pasto de maior qualidade e engordar em menos tempo. A quantidade de óxido nitroso emitido pelo fertilizante é compensada pela quantidade de metano que deixa de ser emitido pelo animal ao ser reduzida a idade do abate. No fim das contas, um sistema “intensivo” (coloque aí fertilizante, pastejo rotacionando, seleção genética, irrigação, etc) emite menos gases de efeito estufa por kg de carne produzida.

É claro que há outras implicações ambientais, sociais e econômicas na jogada, por isso é tão difícil dizer que um sistema de produção pode ser sustentável. Uma saída é valorizar o subproduto, como no caso da cana-de-açúcar, que pode ser utilizada para açúcar, álcool, queima do bagaço para energia, torta de filtro e vinhaça como fertilizante, e por aí vai…

No caso da carne/leite é um pouco mais complicado, mas também possível. Eu visitei uma fazenda na Costa Rica que recolhe as fezes/urina das vacas enquanto elas estão sendo ordenhadas. Esse “chorume” passa por um sistema de decantação, onde o sólido é deixado pra secar e utilizado como fertilizante no pasto, enquanto o líquido é usado por um biodigestor que gera energia pra fazenda. Se sobrar líquido, ele é utilizado como fertilizante também no pasto. São situações assim que podem deixar uma sistema mais “sustentável”.

Eu me empolgo falando disso…rs

Abraço!

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