Sobre amor e dor…

Sou daquelas que nasceu romântica, mas logo nos primeiros anos de vida, ela própria, a vida, fez questão de me “desromantizar”, a socos e pontapés. Desde cedo aprendi que não há final feliz na vida real, e que a princesa e o príncipe só são felizes porque as histórias terminam no início da vida a dois. Cresci desacreditada no amor, mas mesmo assim não deixei meu coração se tornar um bloco de gelo apenas. Secretamente, mantive sintomas de amor em todo meu ser. Chorava em filmes de drama, desejava ardentemente uma paixão como as dos romances e escrevia “Fulana e Fulano 4ever” na minha agenda. Acreditava, secretamente, que um dia, encontraria um príncipe encantado que me tiraria da prisão do meu castelo e viveríamos felizes para sempre.

Sempre me apaixonando por quem não poderia ter, nunca fui santa, mas não via sentido em beijar só por beijar, procurava algo além de uma boca. Procurava algo que encaixasse perfeitamente nos buraquinhos do meu coração. Desejava viver aquele amor de filme, à primeira vista e arrebatador. Aquele amor que te faz perder a cabeça, que te tira do eixo, que tira o fôlego. Um amor que faz você reavaliar suas certezas, que faz você mudar os planos pois nada mais faz sentido como antes.

Durante anos, ao vivenciar esse amor, tal qual desejei, tive medo. Sabia que nada é bom demais para sempre, quando algo muito bom acontece, sempre vem carregado de tristezas. Nada é perfeito. Durante anos, cinco ou seis, talvez, vivi desconfiada. Não merecia algo que só era destinado aos filmes. Hoje sei que mereci, pois sei que só por conta desse “benefício” foi possível que eu enfrentasse toda a dor que estava por vir.

A vida nos maltrata, fere a alma como se não houvesse sentido em ser feliz. Os anos passaram, a vida tratou de pôr em prova as verdades, novamente. Hoje sou um eco do passado, que vive sem rumo, no melhor sentido possível. Pois viver sem rumo, ao contrário do que muitos pensam, não é estar perdido, mas sim estar aberto para tudo que vier.

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