Carta a ex do meu companheiro

Yu Oliveira
Nov 4 · 2 min read

Venha cá bixinha, senta um pouco, vou passar um café.

Imagem retirada do Google. Artista desconhecido.

Sei que dói, sei que parece que a gente tem que se odiar agora, mas confesso, tenho certa admiração por você.

Não sei se tu prefere com açúcar ou não, mas sei da tua dor pelos escritos. Cheguei nessa história tempos depois e confesso que é estranho estar desse lado da ponte.

Nunca fui a escolhida, nunca fui a nova garota. Até que um dia ele chegou e quando menos esperava consegui dormir uma noite inteira com outro na cama. Riria alto da minha história se soubesse que foi logo ele que surgiu quando fechei uma porta pesada que tinha acesso a dores do passado. E fez mais bem do que eu julgaria ser capaz de receber.

Dói forte, eu sei. A frustração, decepção, se perguntar o que há de errado. Minhas amigas dizem que devo deixar tu para lá, elas estão certas. Nessa história que não é minha, dessas dores que sei que não fui eu que causei.

A complexidade do objeto que me fez voltar a acreditar ser o mesmo que te tirou a fé me deixa aturdida.

Não quero ser sua inimiga, longe até mesmo de ser sua amiga. O passado tortuoso que tanto fere, me faz sentir até mesmo certa empatia, meu sol em gêmeos, curiosidade.

Eu sei que é difícil, porém não ousaria comparar com a minha dor, tão velha conhecida que já somos amigas. Términos tem um sabor peculiar e acredito que nem nos mais maravilhosos mundos, eles não deixariam algum leve amargor no canto dos lábios, mas pois bem, seguimos, não é sobre términos ou sabores.

Só queria te dizer, vai parecer estranho, com toque de obviedade, mas vai passar.

Este é o ciclo da vida. Um dia você foi a nova garota, hoje a ex, talvez qualquer hora chegue a minha vez também. Por diversos motivos, compartimentos e sentimentos. A entropia do universo se mantem.

Não adianta se destruir. Você não terá as respostas que deseja e não adianta alimentar as esperanças. E mesmo que ele volte, será que quer alguém que te quebrou assim?

Algumas vezes é importante deixar histórias acabarem, ciclos encerrarem, portas fecharem.

Ele passou, fumou o último cigarro, seguiu com suas botas pesadas. Comprou novas botas, aliás.

Abra a janela, deixa arejar a casa, acenda um incenso de manjericão. Limpe a sala. Tome um porre. Lembre que você é linda e que seguirá em frente também. E quando menos esperar, um dia você vai ser a nova garota.

E nesse dia a gente continua a corrente da empatia.

Te desejo paz.

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sobre cafés e minhas tretas mentais.

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