Desde que me separei da minha filha, passei por um longo processo de mudanças internas. Naquele mês estive mudando de cidade, mas parecia inconsciente do que realmente estava acontecendo em minha vida. Demorou um longo tempo, cerca de um ano, até aqui, para que eu acordasse e percebesse que simplesmente me perdi.

Sem ela, sem aquela princesinha que saiu de dentro do meu ventre, a quem eu amamentei, cuidei, amei e dei todo o meu amor, vaguei em busca de uma paz que hoje eu sei que jamais alcançaria.

Fui em todos os lugares e tentei me divertir, sentir o sangue fervendo com a juventude que tenho, tentando sentir algum tipo de felicidade e prazer. Conheci muitas pessoas, de todos os tipos. Me aventurei, arrisquei. Parecia que o “amanhã” simplesmente não existia. E tudo terminava em completa solidão e sentimento de desprezo por mim mesma e pela vida. E isso se repetiu por quase um ano. Eu sempre lembrava dela, principalmente nas noites. E isso me causava uma dor insuportável. Eu não queria lembrar, mas ela sempre vinha, em forma de memória, linda e angelical. Seu cheiro. Sua risada de bebê. Meu Deus, aquilo me massacrava. Eu me sentia um lixo de mãe e pessoa. Eu evitava pensar e sentir.

Comecei a me relacionar com meu atual namorado há alguns meses e isso foi fundamental para que eu parasse de sair sem rumo em busca de sentimentos momentâneos. Ele fez eu me distanciar daquele mundo agitado, me oferecendo a sua companhia para as coisas do dia a dia, assim como nos fins de semana. Até das redes sociais eu sumi. Foi assim que cheguei aqui, com essa necessidade de reflexão e questionamento sobre tudo. Parece uma crise existencial.

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