Contrato de paixão
Dias depois do nosso primeiro encontro, caminhávamos apressados debaixo do sol escaldante. Ela usava um vestido estampado que combinava com o seu jeito de menina mulher. De mãos dadas, nossos olhares transmitiam pressa. A pressa de nos possuir. A pressa da hora do almoço. A pressa em voltar para as nossas prisões. A pressa de um novo encontro.
Paramos no lugar mais próximo. Era um muquifo no centro da cidade, de valor pífio. O cheiro era de naftalina. A aparência, antiga.
Ficamos agarrados lá dentro enquanto pudemos. Ela em cima de mim. E eu em cima dela. A maior parte do tempo, seus joelhos permaneceram apoiados no chão. Ficaram marcados.
Meu pau ficou esfolado e a carne dela, ardendo. Apareceram marcas roxas em nossos corpos. A que convive conosco, ficou ainda mais escura. As olheiras. Mas não me importei. Ela também não. Era um contrato de paixão contra essa rotina meia boca que as pessoas chamam de vida