[Ed Tech] O Poder das Hashtags para o Aprendizado

Quem não usa uma hashtag (#) nas mídias sociais? Um #sqn ou talvez #saladeaula. As hashtags se proliferam exponencialmente, mais rápidas do que a velocidade da luz já que as criamos diariamente de acordo com as conexões que queremos deixar registradas, das mais simples e utilizadas às mais malucas.

Interessante, no entanto, perceber em nossas andanças em capacitações em ambientes educacionais e corporativos que muitos profissionais não entendem o poder da hashtag para conexões e aprendizados.

Na verdade, quando colocamos # e qualquer palavra, estamos nos hiperlinkando com todas as pessoas no mundo que têm interesse em determinado assunto, conceito, ideia ou que querem deixar registrado certo momento. E apesar de termos essa premissa como pressuposto, o mundo das hashtags está totalmente banalizado e esse símbolo que agrega, conecta e hyperlinka é muitas vezes utilizado de forma superficial e irrelevante, talvez porque os usuários não saibam e não entendem o poder que elas têm.

E o poder que podem ter para o aprendizado, discutimos na última Live #ampliflix sobre Espaços de Aprendizagem que rola toda sexta-feira às 16:00 no https://www.facebook.com/pg/seminarioamplifica/videos .

Fazendo um super resumo dos principais pontos que tratamos, consideramos que as # são nós de aprendizado bem dentro do conceito conectivista de George Siemens e Stephen Downes. A aprendizagem se dá na construção de conhecimento em conexão e está cada vez mais potencializada pelas tecnologias que temos disponíveis. Na verdade, cada # criada é um potencial ponto de conexão de um grupo e, consequentemente, de aprendizado.

Mas Como?

Aha, vamos a um exemplo concreto de um projeto educacional no Instagram que resultou na super dissertação de mestrado de nossa amplificada Samara Brito. Samara queria fazer diferente. Em vez de explicar o conteúdo e os alunos boiarem no conceito de física, como eu me senti por todo o 2º grau (denunciando minha idade aqui! O Ensino Médio veio depois…), decidiu por uma abordagem de "Flipped Classroom"(sala de aula invertida). Os alunos procuraram por fenômenos óticos no dia a dia deles, tiravam uma foto e postavam no Instagram, explicando o fenômeno.

Mas onde as hashtags entraram na equação?

Como essa atividade fez parte de uma atividade avaliativa, Samara pesquisou a hashtag #jairandsamara no Instagram. Perfeito. Ninguém estava usando essa #, o que significava que ela usaria uma hashtag única, que nunca tinha sido utilizada, o que garantia que todas as fotos agregadas nessa hashtag seriam dos alunos dela. E assim foi. Os alunos tiraram as fotos, postaram no Insta e a Samara conseguia ver o que estava sendo compartilhado por eles. Atualmente há mais de 900 postagens que encontramos se pesquisarmos #jairandsamara no Insta.

Mas não acabou por aí. A super professora de física, utilizando-se do poder das mídias sociais para estimular os alunos a entenderem que o que estavam estudando fazia parte do dia a dia deles, teve um segundo desafio. Imagina a avalanche de fotos. E como eram de todas as turmas que dava aula, como ela iria saber de que turma era? Samara foi aprendendo sobre como granularizar a pesquisa para criar os grupos que precisava para cada turma.

O que fez para saber de que turma o aluno era?

Começou a utilizar uma outra hashtag única para cada turma. Então, por exemplo, essa aqui ela sabia que era da sua turma de 2º ano do Marista, da turma 22E, apenas com #marista22e

#jairandsamara #marista22e

Depois disso, Samara não parou mais e continua aperfeiçoando seu uso de #. Percebeu que precisava incluir o ano e começou a utilizar outra # para seu projeto, #albumdigital2014 #albumdigital2015, #albumdigital2016.

Neste projeto digital simples, mas de alcance poderoso, não só o aluno passa a ser parte ativa no processo de aprendizado, testando, experimentando e fazendo, o que do ponto neurocientífico é excelente para fortalecer as conexões neurais e levar o conhecimento adquirido para a memória de longo prazo, mas também:

  • o professor cria um álbum digital por meio das hashtags que pode ser reutilizado para revisar o conteúdo
  • o álbum criado pelos alunos passa a fazer parte de um banco de imagens que o professor pode reutilizar em aulas futuras com outros grupos
  • o professor pode avaliar se há ainda conceitos que precisam ser aprofundados ou algum conceito que os alunos ainda não entenderam (avaliação formativa)
  • todos os alunos passam a ser produtores de conteúdo

O poder das Hashtags está nas conexões

E entender que a hashtag cria esse link entre todas as pessoas que utilizam a mesma # dá um sentido poderoso para os projetos que imaginamos e a forma como nos conectamos e usamos nossas palavras-chave. Lembre-se, então, que é possível imaginar e realizar projetos educacionais digitais incríveis apenas escolhendo com carinho qual a hashtag utilizar.

Me lembro de um projeto internacional de escrita colaborativa que um grupo de amigos educadores começou há muitos anos, o #writingmatrix. E tudo girava em torno do poder do #writingmatrix…Mas isso é uma outra história para contar.

#amplificainternacional

No final de nosso vídeo falamos de uma ferramenta super interessante que agrega todas as hashtags utilizadas nas mídias sociais e cria uma história, o Storify. Um pouco da vibe do #amplifica2016 foi assim, nossa história criada com a ajuda do Storify. Nós estamos agora começando a contar coletivamente essa história incrível do #amplificainternacional, nosso evento para educadores, gestores educacionais e entusiastas da educação. Vambora amplificar e aprender muito mais sobre construções colaborativas em meio digital e participar desse poder incrível das hashtags e conexões? E se não puder estar lá, vai poder acompanhar os melhores momentos com uma #.

#amplificainternacional

E Você?

Tem alguma história pra contar por uma hashtag?


Carla Arena. Co-fundadora do Amplifica. Educadora. Malabarista. Apaixonada por pessoas, conexões e aprendizagem.