AS MARCAS DO MACHISMO NO JORNALISMO BRASILEIRO

O machismo na profissão jornalística se reflete hoje desigualdade de salários entre homens e mulheres

A cultura machista e preconceituosa que por muitos anos dominou a opinião pública brasileira, se alastrou por todas as áreas e profissões da sociedade. O modelo sexista dominante no Brasil tinha uma visão conservadora da mulher que era tratada como a “rainha do lar”, na qual atribuía-lhes as funções de cuidar da família e servir seu marido.

O tempo passou, e a sociedade evoluiu quebrando paradigmas e tabus. Com a ajuda do feminismo, a mulher se libertou do preconceito e assumiu sua posição na sociedade, inclusive nas áreas profissionais dita antes como unicamente masculinas. Porém, ainda vemos conceitos sexistas impregnados em muitas áreas da sociedade, mostrando que a luta contra o preconceito ainda está longe de terminar.

O jornalismo não foge à regra da influência do machismo nas profissões. O mercado de trabalho jornalístico no Brasil foi por muito tempo uma área estritamente masculina. Até a primeira metade do século XX, eram raras as redações que aceitavam mulheres no Brasil, como afirma José Hamilton Ribeiro em seu livro “Jornalistas: 1937 a 1997: história da imprensa de São Paulo vista pelos que batalham laudas” (1998)

“As empresas jornalísticas eram pensadas e construídas como ambiente de sauna brega: só para homem. Nem havia banheiro feminino. No Estadão, à noite, quando fervia o trabalho jornalístico, as mulheres não eram aceitas nem na mesa telefônica. Havia mulheres como telefonistas, mas só durante o dia. À noite, um homem é que operava. Mulher podia ser telefonista, faxineira ou servia para fazer o café: circulava na área de serviço”, diz José Hamilton Ribeiro.

Apesar do aspecto ter melhorado com o passar dos anos, as mulheres jornalistas não podem dizer que estão livres do machismo na profissão. Hoje, possuem uma missão diária de combater a misoginia mascarada na profissão. Seja ela na redação, contra seus patrões com seus colegas de trabalho e até nas ruas contra seus entrevistados e assessores.

Efetivo feminino aumentou os salários continuam abaixo da média masculina

O maior elemento que pode indicar a presença de sexismo na profissão jornalística é a desigualdade de salário entre homens e mulheres. Uma pesquisa divulgada em 2013, por pesquisadores do programa de pós-graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em convênio com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), definiu as características do jornalismo brasileiro atual. Em relação a representatividade femininas nas redações, vemos um salto positivo. Dos 145 mil jornalistas com registro profissional, 64% são formadas por mulheres brancas, solteiras, com até 30 anos. A pesquisa foi realizada com 2.731 jornalistas entre 25 de setembro a 18 de novembro de 2012. Porém, quanto a condições de trabalho a pesquisa constatou que “as mulheres jornalistas, mais jovens, ganhavam menos que os homens; eram maioria em todas as faixas até 5 salários mínimos e minoria em todas as faixas superiores a 5 salários mínimos”.

Por Eduardo Martins

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