Olhos Azuis

Eu passei tanto tempo, enquanto eu te tinha só pra mim — daquele jeito infantil, hollywoodiano, full of shit que os filmes tentam empurrar como sendo a única face do amor verdadeiro — andando pelos cantos, com medo de te perder, andando pela beira do abismo, sem perceber que você estava sempre entre meu corpo e a borda.

Quando não estava escrevendo meus delírios ultrarromânticos sobre seus cabelos, seus olhos, — que são a porra de olhos verdes, e não azuis, por que eu sempre insisti em descrevê-los como azuis? — estava me desmanchando em mal do século, falando de meus medos como certezas que nunca quis ter. “Quando você me deixar, espero que possa viver consigo mesmo” hahah que monte de merda.

Eu te amava daquele jeito, sim. Eu queria viver em um filme do Nicholas Sparks, ou qualquer outro desses autores que escrevem como se tivessem a cabeça de uma garotinha adolescente. Eu queria fazer poesias bobinhas, falando sobre o quão infinito e eterno meu amor por você era. Eu queria usar palavras que eu mal conhecia pra descrever um sentimento que eu achava que entendia como a palma da minha mão. Amy conhece o amor, ela amou tudo e todos sua vida toda. Amy conhece o sofrimento, ela sofreu por tudo e todos sua vida toda. Amy tem um coração que não cabe no peito. Amy é uma pessoa leal. Uma taurina. Uma qualquer outra porcaria de caixinha auto vangloriadora que eu quisesse me encaixar.

Eu escrevia todas aquelas poesias, escrevi a porcaria de um livro, me julguei escritora, só para tornar mais poético o amor que eu vivia. Ele não lia metade do que eu escrevia. Não deve estar lendo isso. Se estiver, desculpe a injustiça, mas é a raiva falando. A raiva de ter que crescer. Raiva de ter que abandonar finalmente aquela adolescente que se cortaria, se atiraria na frente de um carro, ou de uma janela não muito alta — um poeta nunca quer morrer de verdade, é só o eu-lírico — caso perdesse o amor da sua vida.

Até alguns minutos atrás eu juraria de pés juntos que acredito em um único amor verdadeiro, the one. The fucking one. Bullshit. Acho que agora não posso jurar acreditar em mais nada. Você não é meu príncipe de armadura, eu não posso fingir ser uma princesinha em perigo. Não há perigo algum. Não há uma tragédia shakespeariana me esperando na próxima esquina, nem um romance do The Notebook. Só há a vida, e a realidade. A porcaria da realidade que eu sempre evitei encarar.

Não houve uma guerra, houve um acordo de paz. E essa paz vai se esvair até ser algo no qual ninguém pensa. Disse ter medo de viver na sombra do que tivemos, mas tenho medo dessa sombra não ser tão grande assim. Se não podemos envelhecer juntos, então eu tenho que viver uma vida de sexo, drogas e rock n’ roll, nunca me permitindo amar. Se eu algum dia amar novamente, deve ser morno, uma mentira, bater cartão. O medo mora na possibilidade de eu amar melhor, amar mais e você ter sido realmente apenas “meu primeiro”. Não quero provar certos quem não acreditava em nós. Acho que nós acreditamos mais do que podiamos cumprir.

Que saco. Que merda. Bostaaaaaaa. Que ódio, dele, da vida, de mim, de deus e do mundo. Puta que pariu.

A porcaria do seus olhos são verdes.

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